Wild Wild Country: nada do que você imaginar pode ser mais bizarro que esse documentário

A história do guru indiano que fez fama, dinheiro e inimigos nos EUA.

Luide
Luide
12 de Abril de 2018

Se imagine uma cidade no interior do interior americano com apenas 40 habitantes. Em certo momento, uma área vizinha de 64 mil hectares é comprada por seguidores de um determinado guru indiano e uma massa gigantesca de pessoas começam a se mudar pra lá. Essas pessoas, guiadas pelo culto ao guru, começam a levantar no meio do nada uma cidade que pode abrigar até 10 mil pessoas. Membros desse culto são a favor do amor livre, do contato com a natureza, mas não abrem mão do bom e velho capitalismo. Imaginou? Pois bem, não precisa. Esse caso existiu e está documentado na série Wild Wild Country.

Quanto menos você souber dessa história é melhor. Mas vamos lá…

Na década de 80 um guru chamado Bhagwan fazia sucesso na Índia e atraia milhares de seguidores (ricos) ao redor do mundo para sua seita. Movidos por um vazio existencial ou necessidade de pertencer a algum grupo, essas pessoas seguiam seu líder com fervor e a ele doavam seus esforços físicos e também economias. Foi assim que Bhagwan logos e tornou um fenômeno não apenas cultural, mas um grande negócio. Acontece que na Índia sua vida não era fácil, e o grande mestre não conseguia prosperar e aproveitar seus milhares de dólares. Foi então que em uma belíssima sacada empreendedora, ele e sua legião se mudaram para os EUA.

Na Terra do Tio Sam eles encontraram a liberdade religiosa garantida pela Constituição e logo se estabeleceram. Acontece que escolheram como morada um meio do nada habitado por americanos conservadores. O choque social foi automático e toda a maluquice que se segue começa por aí. A cidade de Antelope no estado de Oregon era o paraíso dos aposentados. Com apenas 40 habitantes o sossego reinava por lá. Mas assim que Bhagwan e seus discípulos (a maioria americana, vale lembrar) desembarcaram nos EUA, a vida desses pacatos moradores mudou pra sempre.

A seita crescia em ritmo acelerado. No fronte estava Ma Anand Sheela, secretária pessoal do guru e uma espécie de general. Era ela quem dava as cartas e enfrentava a tudo e todos. Wild Wild Country conta o tipo de história que seria impossível de acreditar se não fossem as imagens na tela. No meio de um terreno árido nasce uma cidade de forma instantânea que passa a abrigar toda a sorte de pessoas. O fato é que mesmo assistindo ao documentário, fica difícil apontar o que exatamente esse Bhagwan fazia para despertar tanta devoção de seus seguidores. Mas acredite, eles eram devotos.

São 6 episódios com mais de uma hora de duração. Mas não se preocupe, é simplesmente entretenimento de primeira do início ao fim. Não da pra desgrudar os olhos, afinal, é tanta maluquice e situações inesperadas, que você se pega perguntando se aquilo teria como ficar melhor. Spoiler: fica. A cada novo episódio as coisas saem ainda mais do controle e por isso Wild Wild Country tem uma forte tendência de crescer com o passar dos dias, já que os fatos narrados são de deixar a cabeça em chamas por um bom tempo.

Lançado na Netflix sem muito barulho, é de longe uma das melhores produções do serviço de streaming em 2018. Se eu fosse você parava tudo que está assistindo e aproveitava seu tempo em viajar com essas histórias. É diversão garantida.

ps: não se espante se você reconhecer nessa série a mesma devoção doentia que muitos aqui no Brasil prestam a determinadas figuras políticas

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