Watchmen é exatamente o que significa uma ADAPTAÇÃO

Quem diria que daria tão certo.

Luide
Luide
10 de dezembro de 2019

Adaptações sempre serão problemáticas. Essa ideia de transformar um livro em filme, um quadrinho em série e por ai vai, é mais uma fantasia de fã que não se sente suficientemente preenchido pelo que consumiu e deseja mais do que qualquer outra coisa. E ele sempre deseja mais, mas nunca está satisfeito. Na primeira vez que assisti O Iluminado de Kubrick, fiquei maravilhado. Que filmaço! Um espetáculo de terror, mas pra minha surpresa, descobri que o próprio autor do livro que inspira o filme não gostou das mudanças.

Ou seja, pra muita gente, o ato de adaptar nada mais é que recontar a mesma história do mesmo jeito.

Não faz sentido. A história original foi pensada para aquela mídia e é lá que ela deveria ficar. Quer uma adaptação? É seu sonho de criança? Então suporta o peso disso. Portanto, não tem como “vibrar/surtar/não saber lidar” com a notícia de que Watchmen seria adaptado pra TV e ao mesmo tempo ficar incomodado com as mudanças.

Veja o próprio exemplo da versão para o cinema. Zack Snyder simplesmente refez quadro a quadro dos quadrinhos, mudou apenas um conceito final, mas mesmo assim, os fãs puristas odeiam o filme por completo. Ou seja, não adianta tentar agradar a esse “fã”, ele nunca estará satisfeito e é por isso que Damon Lindelof fez da sua versão de Watchmen um espetáculo. Sim, sua versão. É dele.

Watchmen é um exercício de imaginação de como seria aquele mundo de Alan Moore, do que viria a seguir assim que a última página fosse lida. Lindelof não perde tempo teorizando se isso vai ou não agradar quem quer que seja, ele simplesmente executa suas ideias. E em um crescente espetacular, os últimos episódios são a prova definitiva que um autor só consegue trabalhar com essa liberdade. Pegar o imaculado Dr. Manhattan e trazer ele pra história em um contexto único é muito corajoso. E ficou espetacular.

Reclamar que o CGI não ficou bom, que a maquiagem está bizarra, é como reclamar da toalha de mesa em um banquete. Existem tantas coisas incríveis sendo feitas em Watchmen, que efeitos visuais mal feitos se tornam tão pequenos quanto a choradeira do nerd médio. Damon Lindelof sabe como amarrar suas histórias, ele tem um controle absurdo do que conta. A forma como cria mistérios, nos faz esquecer deles e depois retorna com uma marretada na cabeça… f#da.

Até aqui, Watchmen soube como explorar seus personagens de um jeito bastante único, com um destaque absurdo para Angela, o fio condutor de toda trama. E é por isso que a série funciona tão bem, colocando os personagens dos quadrinhos como periféricos, influenciando os acontecimentos, mas sem se tornarem o centro das atenções. E o que coroa tudo isso sem dúvida alguma é olhar para esses personagens pós Alan Moore e pensar que sim, eles seriam essas pessoas (ou deuses) nas mãos do Mago caso fosse ele quem resolvesse escrever uma continuação.

Watchmen é sem dúvida a série do ano. É o respeito máximo pela obra de Moore: ressignificar sua importância para os nossos tempos.

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