The Walking Dead: o sacrifício de personagens para fãs sedentos por sangue

Sangue, sangue, sangue... estão entretidos?

Luide
Luide
17 de março de 2015
 

Há mais ou menos duas semanas atrás falei sobre como a chegada de Rick e sua turminha mto loca aos portões de Alexandria seria um ponto importante para a série. Durante cinco temporadas e meia, vimos como o grupo tentou sobreviver a todo custo, migrando de um lado para o outro, sem esperanças de um futuro. Enfim, sobrevivendo hoje para poder sobreviver ao amanhã.

Quando os portões da pequena comunidade cercada se fecham, Rick e todos aqueles que perambularam por um mundo sujo e apocalíptico são novamente inseridos em um ambiente limpo, seguro e afetivo. Foram dois excelentes episódios (12 e 13) que mostraram o impacto psicológico que todos eles sofreram nessa jornada e como é difícil se reabilitar a civilização.

O mesmo paralelo pode ser traçado com ex prisioneiros ou ex soldados, que após saírem da zona de guerra não conseguem se adaptar ao nosso mundo, que pode até soar utópico para eles (mesmo o “mundo real” sendo uma carnificina). Foi mais ou menos isso que o personagem de Bradley Cooper passou em “Sniper Americano“.

Não seria fácil para Rick, que já havia caído duas vezes na armadilha de bons moços e suas comunidades seguras, encarar tudo aquilo. O choque de realidade foi certeiro, e todos sobreviventes tiveram que olhar pra dentro de si mesmo e buscar lá no fundo o que sobrou de humanidade.

Um dia você está lidando com canibais (mortos e vivos), no outro com uma ex congressista e sua comunidade auto sustentável. Não é fácil pra ninguém. Mas o problema, penso eu, é que The Walking Dead não pode se virar muito para a questão psicológica dos personagens. É como se o público médio dissesse “epa, cadê meu sangue semanal?“, e foi exatamente isso que aconteceu no episódio 14 dessa quinta temporada.

S05E13: “Forget”…

Me lembro de que em algum momento da sofrível sétima temporada de Sons Of Anarchy, quando o Kurt Sutter parecia estar mais perdido que o Jax lendo o diário do pai, que TODO episódio tinha um tiroteio. Sem a melhor lógica, sem a menor necessidade pra trama, lá estavam os Sons saindo na bala com pessoas aleatórias. Era o espetáculo cobrando seu preço.

Em The Walking Dead acontece o mesmo, mas com sangue e morte. É como se fosse um sacrifício Maia, e somente o banho de sangue acalmasse os fiéis. É uma pena que a série ainda precise apelar para mortes desnecessárias de coadjuvantes ao invés de mostrar o que eles podem oferecer.

Mesmo assim, me anima saber que um novo ciclo está prestes a acontecer e outras questões (principalmente morais) irão pesar para Rick. Enquanto isso, é torcer pra que eles não voltem a andar em círculos.

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