Você separa o artista da obra? Com Kevin Spacey isso não aconteceu

Menos de 20 pessoas foram assistir Billionaire Boys Club, filme que tem o ator no elenco.

Luide
Luide
21 de agosto de 2018

Você perdoaria? Daria uma segunda chance? Ou todo abusador que tem seus crimes revelados merece a eterna sarjeta? Desde que os escândalos envolvendo figurões de Hollywood começaram a ganhar espaço na mídia (até porque a mídia já não podia mais ignorá-los), assistimos a queda de vários talentos que um dia admiramos. O movimento #MeToo foi triturando todos aqueles que passaram imunes nos últimos anos graças ao seu privilégio na indústria. Mas a conta chegou.

Aliás, a conta chegou até mesmo para aqueles que tratam (ou trataram) de temas sensíveis com um humor nada engraçado. É o caso do diretor James Gunn, que foi demitido pela Disney após uma série de tweets envolvendo estupro e pedofilia serem expostos. Você perdoaria? Daria uma segunda chance? O Mickey não e mesmo com todo barulho do elenco, o diretor segue afastado.  O público ainda não está pronto para perdoar, se é que um dia perdoará.

E Kevin Spacey provou um pouco desse tribunal. Seu novo filme Billionaire Boys Club estreou no último fim de semana nos EUA e arrecadou US$ 126. Foram menos de 20 ingressos vendidos nos três primeiros dias em cartaz. Um fracasso histórico para o astro (ou ex-astro?). É claro que se trata de um lançamento pequeno: o filme foi exibido em apenas 11 cinemas, o que diminuiu a procura, mas isso já era um sintoma de ninguém mais quer ter seu nome associado a Spacey.

Billionaire Boys Club foi distribuído pela Vertical Media, que ainda em junho confirmou a estreia do filme mesmo com todos os escândalos envolvendo o ator. “Esperamos que essas alegações perturbadoras relativas ao comportamento de uma pessoa – que não eram de conhecimento público quando o filme foi feito quase dois anos e meio atrás, e sobre alguém com um papel coadjuvante em Billionaire Boys Club – não manchem o lançamento do filme” disse a empresa em nota. O que não adiantou muita coisa.

Mas e você? Você perdoaria? Daria uma segunda chance?

Ao longo dos anos assistimos a muitos abusadores, racistas e outros covardes seguindo em paz com sua vida já que muitos alegam saber “separar o artista da obra“. Ninguém leva em conta as vítimas e todo trauma causado ao se utilizar desse argumento. Talvez até sirva para situações não tão complexas. Usemos o caso recente de Kanye West e seu “apoio” (sim, entre aspas) a Trump: você pode ser contrário ao que o presidente americano faz e com certeza não gostaria de ver seu ídolo dizendo que o ama, mas até aí, o que isso pode impactar na obra? É somente uma escolha política a nível pessoal.

Agora quando se trata de atos como o de Kevin Spacey, é simplesmente impossível dar play em um episódio de House Of Cards e se sentir a vontade com o que está assistindo. Há limites pra tudo e só assim esses caras vão perder a imunidade diante de casos do tipo. Ninguém quis exibir o novo filme do ator e ninguém quis assistir. É um começo antes de pensar em perdão.

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