Você está preparado para assistir ao novo documentário sobre Michael Jackson?

Assista se você não põe a mão no fogo por ninguém.

Luide
Luide
12 de março de 2019

Me lembro de crescer ouvindo as manchetes dos telejornais a respeito das acusações de abuso de menores praticadas por Michael Jackson. Lembro também das piadas que isso gerava, seja ela em filmes, séries ou programas humorísticos (brasileiros inclusive). Era confuso: ao mesmo tempo em que ele era o Rei do Pop, o maior astro vivo, também vivia sob a sombra do mais cruel e nojento crime que existe. Ninguém tem o direito de tocar em uma criança de forma maliciosa e não me importa o quão traumática tenha sido a vida dessa pessoa ou o tipo de doença que ela diz carregar.

Em 2005 Michael Jackson foi absolvido de uma das acusações, que começaram ainda no início da década de 90. Desde então existe um esforço em limpar o nome manchado do astro, com fãs alegando que sua relação com crianças era a mais inocente possível, que ele tinha traumas, isso e aquilo. Eu que sou pai de uma menina de 3 anos, dispenso qualquer aproximação de um homem adulto, não me interessa o quanto ele tenha sofrido ou solitário seja. Que vá procurar ajuda psicológica, ainda mais quando se tem alguns milhões sobrando pra isso.

Qualquer pessoa normal não enxerga nada de positivo nesse comportamento, mas até ai tudo bem, os pais que permitiram essa aproximação bizarra é quem precisam responder por ela. Se Michael Jackson de fato nunca abusou de nenhuma criança, o julgamento vai de cada um.

Mas após assistir ao documentário Leaving Neverland é bem provável que sua opinião sobre o caso mude drasticamente. Esse que promete ser a mais polêmica obra audio-visual de 2019 já estreou em alguns países e chega ao Brasil pela HBO nesse próximo dia 16 de março. É preciso mais do que estômago pra assistir. É preciso coragem e depois, muito ponderamento após os créditos subirem. Totalizando mais de 4 horas de conteúdo, o filme estreou no Festival de Sundance em janeiro e desde então vem causando por onde passa.

Algumas rádios no Canadá e Nova Zelândia deixaram de tocar as músicas de Michael. Produtores de Os Simpsons retiraram da plataforma de streaming o episódio em que o cantor aparece. É fácil de entender a indignação dessas pessoas: Leaving Neverland é mesmo perturbador. O filme todo se baseia no depoimento de James Safechuck e Wade Robson, que acusam o cantor de ter abusado deles durante anos. O que choca são os detalhes dos abusos, que podem causar um mal estar inacreditável.

Se você é desses que não coloca a mão no fogo por ninguém, certamente não irá tratar Leaving Neverland como apenas uma tentativa de manchar a carreira de Michael. Há nuances a serem entendidas e também processadas. Os arquivos que ambas as famílias cultivam deixam os depoimentos ainda mais complexos. Não é uma tarefa fácil e obviamente o impacto que Michael Jackson tem na cultura pop jamais será destruído, mesmo que todas essas acusações venham um dia a serem confirmado. O cara foi tão gigantesco que é impossível não receber sua influência.

A pergunta que fica é: será que duvidaríamos dessas provas se o acusado não fosse um astro? Mas também podemos nos perguntar: será que tanta acusações seriam feitas se o acusado não fosse um astro?

Pra mim só resta dizer: protejam os seus filhos.

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