A vida pós-streaming

Mais tempo escolhendo algo pra assistir do que de fato assistindo.

Luide
Luide
30 de abril de 2019

Durante um bom tempo conservei um hábito: não importava como foi o meu dia, ao menos um episódio de série eu tinha que assistir antes de dormir. Era o meu momento de contemplação pessoal. Sozinho no sofá e mergulhado em um universo ficcional. E foi assim ao longo de alguns anos, até que minha filha nasceu e meus problemas não era mais tão simples. Quando me sobrava tempo eu queria mesmo era não fazer absolutamente nada. A consequência disso foi um filtro natural que desenvolvi: passei a desistir de séries que não estavam me agradando, abandonando episódios no meio… Já que tenho pouco tempo para “gastar” com séries, que ao menos seja com coisa boa.

Essa minha mudança de mentalidade aconteceu ao mesmo tempo em que a Netflix se transformou em uma gigante de conteúdo e outros serviços de streaming começaram a brotar do chão. O resultado é: com menos tempo e paciência, existem mais séries do que nunca para serem consumidas. Não é atoa que dezenas de canais, podcasts sites e perfis em redes sociais dedicados a analisar essas produções tenham surgido nos últimos anos. O que não falta é uma série misteriosa aqui e ali que rendam algumas dúzias de teorias.

A Era do Streaming não é só realidade como também já é praticamente passado. É assunto encerrado. Ninguém mais duvida de como as coisas serão daqui pra frente. Ricardo Feltrin, um dos maiores nomes do jornalismo de televisão no Brasil, escreveu uma matéria em tom de luto para com a tv aberta: os canais como nós conhecemos irão morrer e até mesmo a Globo irá mudar radicalmente. O futuro já é nosso presente e nada mais pode impedir essa mudança.

Com isso o que há alguns anos parecia ser o sonho de consumo de qualquer pessoa parece ter chego ao fim: ao assinar a Netflix, a ideia de ter todo conteúdo possível por um preço justo nos fazia não apenas pagar, mas também defender a empresa. Hoje a realidade é outra: para assistir Game Of Thrones tem que assinar HBO Go. Para assistir a nova série do Senhor dos Anéis vai ter que assinar Amazon Prime. E tem a Disney+ com as séries de Star Wars e da Marvel. E vai ter a Apple. O que nasceu como simples e revolucionário novamente se aproxima de um formato idêntico ao da TV a cabo.

As empresas obviamente sabem que para conseguir ser sua última opção de cancelamento precisam investir em exclusividade. Nos últimos a Netflix dobrou os investimentos em conteúdos originais e seu catálogo está recheado de produções do todo tipo. Mas para cada Roma que estreia, uma dezena de porcaria descartável também chega por lá. Há quem se entregue de corpo e alma para essa imensidão de conteúdo, mas não demora para que uma sucessão de péssimas escolhas nos faça passar mais tempo procurando o que assistir do que de fato assistindo algo.

O streaming mudou seus hábitos e sua forma de consumo, mas no fim, não consegue mudar uma regra de ouro: o que é bom ganha destaque, o ruim é esquecível.

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