A velha tática suja de Better Call Saul que a torna tão encantadora

"Smoke" (0S4E01) da boas vindas a nota temporada com aquele clima que a gente aprendeu a amar.

Luide
Luide
13 de agosto de 2018

Os primeiros 8 minutos dessa estreia de temporada em Better Call Saul são dedicados a Gene, nova identidade de Jimmy/Saul, no único vislumbre que temos do mundo pós-Breaking Bad. Por estarmos imersos nesse spin-off, nos esquecemos que as cenas do “presente” são parte da mitologia de Breaking Bad, que segue contando o que aconteceu com um de seus personagens mais famosos. E por ser parte de algo tão grandioso, é claro que esses pequenos momentos precisam de um bom cuidado narrativo.

E “Smoke” (S04E01) faz isso com maestria. Nesses 8 minutos a tensão prevalece de forma espetacular, desde Gene sendo internado até sua tentativa de sair do hospital. Essa imagem do personagem completamente acoado e temeroso nem de longe lembra o Saul de Breaking Bad ou Jimmy de Better Call Saul. É um sujeito que foi completamente obliterado e agora luta para sobreviver. Pra deixar tudo ainda mais dramático, a cena do táxi é cereja desse bolo de boas vindas da nova temporada, que a cada novo movimento, se torna mais um prequel da série mãe que um spin-off.

(Aliás, esses pequenos momentos picotados no começo dos episódios lembra muito a tática suja e cruel de Vince Gilligan na segunda e quinta temporada de Breaking Bad)

Tudo porque em Smoke, assim como na terceira temporada, há uma divisão muito clara da história. Enquanto seguimos a vida de Jimmy, também somos apresentados ao fortalecimento do império de Gus Fringe. O momento em que Mike vai até a Madrigal investigar a segurança do local é um exemplo do porque o personagem viria a se tornar o braço direto de GusJonathan Banks tem uma presença de cena inabalável e Mike ainda é, ao menos pra mim, a grande surpresa de Better Call Saul. É a jornada mais interessante de se acompanhar.

Mas não que Jimmy não tenha um tratamento decente e aqui o roteiro de Peter Gould mais uma vez nos engana. Mesmo três temporadas depois ainda é difícil fazer uma análise dos sentimentos do protagonista, como se todos, inclusive o espectador, fossem vítimas de sua esperteza. Em um primeiro momento, a morte de Chuck pareceu abalar o irmão mais novo, que passou todo episódio em silêncio, reflexivo. Aqui a leitura mais simples seria de que Jimmy está de luto pela morte do irmão, principalmente após os confrontos na temporada passada.

Mas assim que Howard deixa claro que se sente culpado pelo o que aconteceu com o amigo, vemos a pequena surpresa que Smoke preparou, algo que por mais que fosse óbvio, ainda assim foi inesperado. “Essa cruz você terá que carregar” diz um Jimmy aliviado que agora pode preparar um café com mais tranquilidade. Afinal, seu medo era que a verdade viesse a tona: ele é o responsável direto pela morte do irmão após aquela arapuca. Perfeito.

Better Call Saul tem esse cuidado em levar o espectador pra uma jornada de apenas um episódio. Ou seja, nada ali é descartável ou feito apenas em benefício do próximo, algo muito comum na Netflix. A direção e o roteiro sempre procuram individualidade e por isso é uma série tão boa de se assistir. Agora é segurar nas mãos de Vince Gilligan e Peter Gould e ver até onde esse quarto ano irá nos levar, mas uma coisa é certo: o final é o começo. De Breaking Bad.

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