Uma série da Netflix quer nos levar de volta para infância. E ter saudades dos nossos brinquedos

Os Brinquedos da Nossa Infância explora nossa relação com os brinquedos ao mesmo tempo que nos conta a história dessa poderosa indústria.

Luide
Luide
9 de fevereiro de 2018

O sino toca. Acabou a aula. Corro o máximo que posso para chegar em casa. Hoje é um dia especial. Meu irmão mais velho, jogador profissional de futebol, acabou de chegar da capital paranaense com uma surpresa pra mim. É um Comando em Ação. Nem acredito que finalmente colocarei minhas mãos nesse item que até então só via nas propagandas de TV. Chego em casa e lá está ele, em cima da mesa, em sua caixa protetora. É maravilho. Abro e corro pro quarto. Primeiro ele é apresentado para os outros bonecos, depois, já realiza sua primeira missão. Foi um dia inesquecível lá em 1994.

Essa foi a primeira lembrança que revivi ao assistir Os Brinquedos da Nossa Infância, nova série documental da Netflix. Fui levado de volta para um longo momento da minha vida onde a imaginação era a maior companheira. Deixar de estar com os amigos jogando bola para ficar no quintal criando histórias envolvendo aqueles “hominhos” era de longe meu passatempo favorito. Quantas possibilidades existiam quando se unia um Comando em Ação e um Jaspion. É através desse esforço imaginativo que uma mente criativa nasce.

Os filmes de Star Wars já renderam US$ 6 bilhões em bilheteria. Os brinquedos de Star Wars o dobro disso“. Essa frase dita no primeiro episódio de Os Brinquedos da Nossa Infância reforça o quanto essa indústria é poderosa. Na série documental em 4 episódios, o primeiro é dedicado ao filme que mudou a forma como se vende brinquedos. De forma bastante descontraída, ao longo de 50 minutos somos apresentados a diversas histórias de quem participou dos bastidores do desenvolvimento desses produtos, mas também de sociólogos e colecionadores.

Afinal de contas, porque precisamos tanto de um brinquedo daquele super herói favorito? Para John Tenuto, professor e colecionador, a experiência humana de precisar sentir e tocar em algo é um dos pontos chaves para entender essa paixão. É a materialização daquilo que somente o fantástico pode proporcionar.

São quatro episódios dedicados a Star Wars, Barbie, He-Man e Comandos em Ação. Já no segundo, quando a história da boneca mais vendida do mundo é contata, temos a oportunidade de lembrar o quanto um inocente brinquedo se relaciona culturalmente com a sociedade. Será que uma simples boneca pode definir padrões que infernizariam a vida de muitas meninas, ou ela não passa mesmo de uma simples boneca?

Isso é pauta pra adulto discutir, crianças só querem brincar.

Quando a Alice nasceu, e eu Camila decidimos que não iríamos submete-la a um padrão de brincar. Bola, carrinho, boneca e super heróis. O que ela quiser. Pois bem, até um ano e dez meses, a Alice nunca havia demonstrado interesse em suas bonecas, até que um dia, ela simplesmente pegou uma, chamou de “neném” e passou a cuidar. Nunca ninguém ensinou a Alice a brincar de boneca, mas de repente, estar  com os “neném” se tornou seu passatempo favorito. Ali ela passa boas horas conversando com aquelas bonecas. É simplesmente maravilhoso ver esse tipo de coisa acontecendo.

Os Brinquedos da Nossa Infância é a mais legítima obra da Netlix dedicada ao nostalgismo, porém, com uma proposta bem mais abrangente do que simplesmente nos fazer se sentir mal por estarmos mais velhos. É mais uma prova que documentários é onde o serviço de streaming mais acerta a mão.

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