Um problema para Trotsky lidar

Quando o entretenimento se mistura com fatos.

Luide
Luide
6 de fevereiro de 2019

Quando Milo Ventimiglia disse em entrevista que interpretar Jack, seu personagem em This Is Us, o ajudou a ser uma pessoa melhor, não foi um exagero. Obras artísticas exercem sim uma influência em nossas vidas e podemos tirar algum proveito daquele tempo consumindo tal produto, inclusive uma série. Em This Is Us, Jack é um pai presente, um marido amado e um homem trabalhador. Mas também tem seus defeitos e precisa lidar com eles. Basicamente é um cara comum, com problemas comuns e que pode ajudar o espectador comum a absolver alguma coisa. Isso acontece. E aconteceu com o próprio ator.

Está tudo bem assistir uma série apenas pelo entretenimento. Em meio ao caos da rotina, encontrar algumas horas de paz no dia é uma recompensa que muita gente precisa pra se abster dos problemas reais. Mas há outros que preferem usar essas horas para, além de se entreter, tirar alguma lição qualquer que seja. Atlanta é um belíssimo exemplo de como da pra rir e ainda assim ser provocado a respeito de alguns temas como o racismo, por exemplo.

Mas se o potencial de uma ficção mudar a vida de alguém está na forma como essa pessoa absolve aquele conteúdo, como ficam as obras baseadas em fatos históricos? E mais: pra que serve uma obra baseada em fatos históricos?

Trótski, série russa de 2017, chegou ao catálogo da Netflix no final de 2018. E chegou causando polêmica. Quer dizer, chegou trazendo a polêmica para o Brasil, já que lá fora, inclusive na Rússia, a série é bastante controversa. A principal crítica se deve, obviamente, a supostas distorções históricas e demonização do protagonista. Tivemos inclusive uma postagem no site do PSTU apontando alguns desses erros.

É aí que temos um problema com esse tipo de produção. Enquanto série, Tróstki não possui atrativo algum além de seus personagens históricos, ou seja, sem os fatos ela não funcionaria. Mas e quando os fatos não são reais? Konstantin Ernst, produtor da série, garante que a ideia nunca foi criar um documentário sobre a vida do revolucionário, mas sim pontuar os principais momentos de sua trajetória.

Claro que série e filme algum irá se debruçar em todos os fatos e transportar isso para a tv ou tela de cinema. É preciso dramatizar, exagerar e omitir aquilo que o público não irá abraçar. Até mesmo uma produção que se comprometa 100% com a verdade terá que se dobrar diante de alguns vícios de narrativas porque no fim, uma série é uma série. Um filme é um filme.

Apesar de tudo, cabe ao espectador mais curioso ir conferir se tudo aquilo de fato aconteceu. Tróstki me prendeu justamente por isso. A cada fim de episódio, uma bela pesquisa no Google para entender quem são esses personagens históricos. É a cauda longa fazendo seu trabalho, transformando você em um obcecado pela série. A Revolução Russa de 1917 é um dos eventos mais importantes da história moderna, quer você goste ou não. E mesmo que a série possa emitir isso ou distorcer aquilo, o grosso está ali.

Ai nos resta expandir o que foi visto.

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