Um podcast que virou série, uma série que é muito boa

A Era de Ouro dos Podcasts também na TV.

Luide
Luide
16 de julho de 2019

Quando Sopranos estreou em 1999 a televisão mudou para sempre, mas essa explosão de criatividade e qualidade teve vida curta. Por cerca de uma década, a vivemos na chamada “Terceira Era de Ouro da Televisão“, com uma mudanças gigantescas na forma de se contar uma história. Saiu muita coisa boa que até hoje serve como base para novas produções. E o que isso tem a ver com podcasts?

2014 foi o ano que Serial foi ao ar. Esse podcast em formato documental investigativo foi a maior audiência de algo do gênero e expandiu para mais pessoas esse formato de midia. Nos EUA já era uma realidade escolher o áudio ao invés da TV ou Youtube. A explosão criativa aconteceu e muita, mas muita coisa boa começou a ser feita, inclusive no Brasil, ao contrário do que uma visão rasa e preguiçosa da coisa tenta pregar.

E quando a Amazon confirmou que um programa de áudio se transformaria em uma série original dirigida por Sam Esmail foi que me toquei do momento histórico que vivemos em relação aos podcasts. É a Era de Ouro do formato. É o momento onde um monte de coisa incrível vai surgir e esse momento de coisa incrível irá influenciar muita, mas muita gente incrível a também produzir coisas incríveis.

A série em questão é Homecoming, que em sua versão original já tinha no elenco nomes como Catherine Keener, Oscar Isaac e David Schwimme. Para a TV chegou adaptada com ninguém menos que Julia Robert como protagonista e Sam Esmail na produção e direção. Uma belíssima maneira de fomentar essa espécie de transmídia entre podcasts e televisão. Homecoming não é a primeira, mas sem dúvidas é uma das mais bem executadas e tudo porque Esmail vem com vontade de imprimir sua própria identidade assim como vez com Mr. Robot.

Homecoming tem toques de terror porque é isso que a direção de Sam Esmail faz: te deixar tenso. Momentos banais se tornam sufocantes e praticamente todos os personagens em tela despertam desconfiança. A história tem seu tempo, seu método, e demora para que você entenda o que de fato estão tentando te contar. É uma confusão deliciosa já que Shea Whigham (o melhor), Julia Roberts e Bobby Cannavale (sempre caricato, mas divertido) estão afiados.

Trata-se de um drama? Um trillher político? Uma ficção científica? É difícil entender muito bem. Com episódios curtos, sem as típicas barrigas para aumentar a retenção do público, Homecoming se recusa a jogar como o jogo dos serviços de streaming, que na busca desesperada por produções de toda sorte para preencher o catálogo, dão vidas a séries insuportavelmente tediosas e no mínimo com 4 episódios além do necessário.

Sam Esmail pode não ter participado da Era de Ouro da TV, mas agora é parte, meio que sem se dar conta, da Era de Ouro dos Podcasts, mesmo que seu trabalho seja em adaptar um para a Amazon. Se for assim, que venham mais. E que mais pessoas saibam que essa série incrível nasceu de um programa de áudio.

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