Um novo olhar sobre a primeira temporada de True Detective

Uma deliciosa revisita a uma das melhores obras da televisão moderna

Luide
Luide
25 de julho de 2016

A revolução televisionada da HBO possibilitou que todo tipo de história tivesse seu espaço. E mais uma vez o canal que deu vida as maiores séries dramáticas, foi o lar de uma obra de arte. Quando True Detective estreou em 2014 o mundo ficou de joelhos perante Nic PizzolattoCary Fukunaga, Rust Cohle e Marty Hart. Uma série que flertou entre o real a e fé ao longo de oito inesquecíveis episódios.

Para entender True Detective é preciso separá-la em duas partes fundamentais: a humana e a fantástica, claramente divididas durante sua primeira temporada. No centro disso tudo um homem chamado Rust Cohle redescobrindo sua relação com a luz. Uma belíssima história sobre superação, luto, fé, transcendência e família. Nic Pizzolatto faz mistura de filosofia trágica com investigação criminal.

É importante então notar aqui os dois pilares narrativos da obra, Cohle e Marty, como almas que caminham paralelamente. Rust Cohle perdeu a filha em um acidente, viu seu casamento acabar e logo em seguida entrou no submundo das drogas. Acabou como informante e depois de matar alguns chefes de cartéis ganhou seu espaço na homicídios. Nesse momento da vida Cohle já havia sido corroído e é isso que o torna um detetive acima de seus parceiros.

Enquanto a maioria vê o homem como indivíduo isolado, Cohle enxerga a condição humana como um erro. Para eles somos seres condenados ao nada, e nossa natureza auto destrutiva no coloca no mesmo patamar. Assim fica fácil para ele estar um passo a frente, visto que já sabe de antemão onde iremos nos meter enquanto seres fadados ao fracasso.

Rust Cohle encontra-se na escuridão porque foi forçado a estar nela. Sem a luz, ele aprendeu a ver no escuro. Entende com indiferença a vida e a morte, para ele viver ou morrer são detalhes mínimos. Por isso ele escolhe a homicídios. Temos um homem que perdeu tudo, e apenas quem tem tudo pode temer o nada. Sua luz se foi junto com sua filha. Rust Cohle não teme mais nada.

Marty Hart é um homem que possuiu o maior bem possível: a família. Enquanto Rust lamenta a perda da sua, Marty não entende o que tem em mãos, ou melhor, o que pode perder. Ao trair a esposa e não ser presente na vida das filhas, Marty está flertando com o abismo. E está na ponta, olhando para baixo, sorrindo ironicamente. Lá no fundo está Cohle, olhando para Marty.

É a escuridão, sempre tão atrativa, que te faz odiar o que se tem e cobiçar o que não pode. Que nos corrompe diariamente, nos coloca em tédio, nos torna raivosos e frustrados.

Nic Pizzolatto antes de construir uma história de investigação, constrói uma história sobre seres humanos. Dois homens em dois momentos bastante semelhantes. É interessante notar como a visão de Cohle é destoante da motivação quase mística do assassinato. E é justamente isso que irá culimar na redenção final do personagem. O real e a fé.

Quando Rust Cohle passar por uma experiência de quase morte, onde as leis da físicas deixam de existir e apenas um instinto humano indescritível chamado amor passa a exercer força, Cohle então entende a verdadeira lógica e sentido por trás de viver e estar vivo. É a batalha mais antiga da humanidade, a luz contra a escuridão, o bem contra o mal. É tudo muito simples.

Sempre existiu a escuridão. Mas a luz surgiu. E nós estamos vencendo. Procure sempre a luz, jamais de espaço para o aconchegante abraço da escuridão. Encontre sua luz. Corra em direção dela. Sempre. Sempre. Sempre.

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