Um Lugar Silencioso é uma angustiante e desesperadora experiência que dura 90 minutos

Fique em silêncio que você sairá vivo da sessão.

Luide
Luide
9 de Abril de 2018

Não é preciso muito para se conectar com a história de Um Lugar Silêncio. As primeiras cenas deixam claro que o mundo não é mais o mesmo e algo praticamente dizimou a humanidade. Ou parte dela. Seria mais um apocalipse zumbi? Somos apresentados a uma família que age de forma estranha: eles não fazem barulhos, se comunicam através de linguagens de sinais e andam por trilhas feitas de areia. Ao sair de um mercado depois de uma expedição por busca de mantimentos, um velho jornal estampa em sua capa uma informação que confirma nossas suspeitas: “O som é a resposta“.

A estreia de John Krasinski como diretor e roteirista de longa metragens é marcada por uma obra sufocante do começo ao fim, potencializada pela necessidade do silêncio e colocando o espectador em uma profunda angústia que dura 90 minutos. Um Lugar Silencioso é uma dessas experiências onde o cinema faz toda diferença e deixa aquela sensação de dinheiro bem gasto ao final da sessão. Eu, por exemplo, levei alguns bons segundos para recobrar o fôlego e sair andando da sala. “Ufa, ainda bem que acabou… preciso fazer algum barulho“.

A atmosfera criada em Um Lugar Silencioso desperta o máximo de empatia possível. Ao invés dos clássicos adolescentes insuportáveis, que geralmente torcemos para que morram todos, Krasinski coloca uma típica família como protagonista desse mundo extremamente hostil. Pai, mãe (grávida!) e três filhos. É impossível não se importar com cada um deles. O filme é ágil e mesmo que foque todo seu tempo em uma ofegante luta pela sobrevivência, as poucas cenas de relações familiares são suficientes para criar esse laço de importância.

Além do trabalho por trás das câmeras, John Krasinski também atua e vive Lee, o pai provedor. Apesar de muito se discutir o papel dos pais na criação dos filhos (pai só faz isso e mãe só faz aquilo), Lee é tudo aquilo que se espera de uma figura paterna em um momento de desespero: ação. Sua jornada é toda baseada na redenção do pai que nem ao menos dizer “eu te amo” consegue. Já Emily Blunt vive Evelyn, a mãe cuidadora que além de tudo está grávida. Em um lugar onde falar pode atrair predadores, imagine o risco de ser ter um bebê que só se comunica através do choro. Como se não bastasse o silêncio total, agora é preciso pensar em como amenizar o barulho vindo de um recém nascido.

Um Lugar Silencioso não explica de onde vem a ameaça e muito menos perde tempo tentando entendê-la. O que se sabe é o básico: ela está em todo lugar e é letal. Esse sentimento de impotência perante ela prende os personagens em um mundo claustrofóbico, mesmo que se possa ir a qualquer lugar. Um espirro pode lhe custar a vida.

Estamos diante de mais um terror (ou suspense, como queira chamar) criativo e bem executado. E novamente um sucesso de público e crítica: custando apenas US$ 12 milhões, Um Lugar Silencioso arrecadou US$ 70 milhões em seu primeiro fim de semana. É aquilo que a gente vive dizendo: faça bem feito que o público vem. E aqui temos um filme que vale cada segundo grudado na cadeira suando frio.

Evite sessões lotadas e não veja em casa. Não é pela tela, é pelo silêncio.

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