Um filme pra te trazer um pouco de paz

Green Book é puro <3 <3 <3

Luide
Luide
11 de fevereiro de 2019

Guilty pleasure é coisa séria. Assistir alguma bobagem apenas em função do desprendimento, da diversão pela diversão e alimentar aquele sentimento de que a vida pode ser mais simples, é algo que muitas pessoas levam como mantra. Nada como compensar um dia cansativo de trabalho mergulhando de cabeça em mais uma fantasia protagonizada pelo Adam Sandler, nosso guardião moral do otimismo. Porém outra categoria de filme também pode ser útil nesses momentos de exaustão mental: aqueles que trazem uma ligeira paz.

Na verdade não sei exatamente como categorizar esse tipo de filme, mas geralmente são aqueles que, apesar de um tema sério, conseguem trazer uma leveza. Obras que inspiram, colocam uma lágrima em nossos olhos e nos fazem soltar um suspiro durante os crédito. Foi mais ou menos essa sensação que tive assistindo a Green Book, um dos indicados ao Oscar 2019 e que vem dividindo opiniões. E como um filme assim pode dividir opiniões? Bom, por várias coisas, menos pela sua própria ambição.

Trata-se de um filme despretensioso, que não quer ser nada além do que já descrevi. Inspirador e perfeito para fornecer um pouco de entretenimento ao espectador. Mas a forma que cada um absorve essa desprendimento é que pode tornar o filme em algo divertido ou um completo desastre. Na trama, baseada em uma história real, um músico renomado precisa de um motorista (e guarda costas) para o acompanhar em sua turnê no Sul dos EUA. O drama vem dai: Don Shirley é negro e seu país vive o auge dos Direitos Civis, onde racistas não se escondem através de perfis fake no twitter. Eles são uma ameaça real, em carne e osso, amparados pela lei (não que hoje seja diferente).

Acontece que Green Book usa o elemento do racismo mais como cenário para uma mensagem sobre empatia, esperança e com um foco em seus personagens, que nesse road movie, passarão por provações pessoais para que, no fim, mudem como pessoas. Evoluam como seres humanos. É nesse ponto que parte da crítica acontece, já que o filme foi indicado ao Oscar e muitos esperavam dele uma postura como a de Infiltrado na Klan. Mas em momento algum essa parece ser a ideia do diretor Peter Farrelly.

É um filme que sim, causa um sentimento de revolta diante dos fatos, mas a forma como os personagens reagem as situações adversárias e de uma forma ou de outra, superam todos os limites, deixa um sentimento de paz, como apesar de todas as dores e tragédias, o mundo aponta para um futuro melhor. Perto do fim, há uma cena que exemplifica tudo isso, quando um policial realiza uma abordagem. É disso que se trata Green Book.

Talvez seja o filme mais simples dessa corrida do Oscar, perfeito para se ver em família ou acompanhado de alguém especial. Aquele calor no coração cada vez mais distante pode acontecer por algumas horas. E no fim é isso que importa.

Seja assinante e ajude o Amigos do Fórum a seguir crescendo!
Posts Relacionados
  • 26/03/2019

  • Luide

E tá errado?

  • 25/02/2019

  • Luide

A melhor forma de assistir ao Oscar é dormindo

  • 18/02/2019

  • Luide

Briguem desgraçados, briguem!