Tom Cruise e sua filha: como a paternidade ainda é associada ao abandono

Um estigma que infelizmente ainda é parte da paternidade.

Luide
Luide
8 de Fevereiro de 2018

Ele é um pai que ajuda” é uma das frases que mais me tiram do sério. O “pai que ajuda” é visto como uma grande pessoa, um homem que reserva um espaço no seu dia para ajudar a mãe na criação dos filhos. O pai ajudante é uma das figuras mais exaltadas da sociedade. Já a mãe que praticamente abre mão da própria vida para se dedicar integralmente àquela criança não pode ter um único deslize sequer ou muito menos tirar um tempo só pra ela. Já o pai ajudante pode continuar com sua rotina, sair com os brothers e outras coisas extremamente importantes.

Eu não ajudo a minha esposa na criação da minha filha. Aqui tudo é dividido. Por mais que isso soe algo básico, acredite, não é. Tenho vários amigos pais que ainda acreditam nessa história que a mãe é a principal responsável pelos filhos. E é justamente essa mentalidade que leva ao abandono paterno: que pai é aquele que provê, chega cansado em casa e faz o churrasco do domingo. Não aquela figura fundamental para a saúde mental e desenvolvimento dos filhos.

Essa semana a notícia que Tom Cruise está cogitando abandonar à cientologia para se reaproximar da filha de 11 anos é mais um exemplo de como a paternidade ainda está fortemente associada a palavra abandono. O astro de Missão Impossível não fala com a filha há cinco anos, alegando falta de tempo devido ao trabalho e sua dedicação a cientologia. Segundo uma reportagem do Hollywood Reporter, Cruise não vê “brecha na sua agenda para a filha“. É basicamente a versão gourmet do pai ajudante. A filha se torna um passatempo e caso o super pai tenha tempo, ele fica um pouquinho com ela.

Somente no Brasil, mais de 5,5 milhões de crianças sequer tem o nome do pai no registro. Isso sem levar em conta aqueles que simplesmente desaparecem e só pagam uma simplória pensão. Ao colocar a criação dos filhos como uma tarefa automatizada ou simplesmente uma questão de agenda, nós, pais, alimentamos essa imagem negativa da paternidade e fortalecemos as milhares de desculpas que um pai que abandona a mulher grávida ou simplesmente não age como tal recebe: “ele era muito jovem” ou “era muito imaturo” e também um “ele trabalha demais”.

Filho não é louça suja que caso você tenha disposição você lava. Além da questão romântica da coisa (a proximidade com os filhos só gera bons frutos), existe a moral. É sua responsabilidade. Sua. Não da mãe. Pais que participam de verdade no desenvolvimento dos filhos PRECISAM ser a regra, não a exceção. Essa imagem negativa, ou no mínimo atrelada a essa questão do abandono, precisa acabar para que uma nova geração de pais tenham bons exemplos para se espelharem.

Ou caso como esses do Tom Cruise cada vez mais serão vistos como algum comum.

Com informações via @geisa.agricio.

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