This Is Us na contramão de tudo que nós estamos acostumados

Uma série de pessoas boas

Luide
Luide
27 de janeiro de 2017

A gente vive em uma época de frase prontas, e quando todo mundo passa a repeti-lás a exaustão, parece que aquilo realmente é verdade. Essa mania de dizer que o mundo está chato, ou que vivemos em tempos difíceis (enquanto está sentado no sofá vendo Netflix e com a barriga cheia de comida), parece realmente fazer algum sentido. O mundo é um lugar terrível e só nos resta lamentar.

Essa mentalidade se reflete muito naquilo que consumimos, principalmente no que diz respeito as séries de televisão. Não é a primeira, nem segunda, nem décima vez que falo aqui no Amigos do Fórum sobre a influência de Sopranos nesse padrão dramático. Pessoas ruins fazendo coisas ruins para outras pessoas ainda piores. É tudo baseado no pessimismo, na falsa ideia de esperança, em uma moral distorcida. Você aprende a gostar de bandido, de assassino, de traficante.

Já expliquei aqui de onde vem esse fascínio, mas ainda assim, é estranho pensar que todo nosso entretenimento é voltado a isso. Por isso a cada novo episódio de This Is Us me asseguro que série precisa ser o grande foco de quem realmente acha que o mundo é um lugar triste e sombrio. Uma vez ou outra, nós precisamos nos agarrar em um fio de dignidade, de amor, de família, de conforto.

Nem tudo precisa ser um ensaio sobre a natureza mentirosa e viciosa que é a humana. Se os grandes dramas serviram para mostrar que entre o bem e o mal existe uma área cinzenta a ser explorada, This Is Us aponta seu coração para o lado bom, com pessoas que, mesmo enfrentando dilemas sérios, ainda assim não esquecem daquilo que une a todos: o amor.

Jack e Rebecca são pais descobrindo o mundo e se redescobrindo como seres humanos. A dedicação e o afeto que um sente pelo outro é tão legítimo e simples, que fica difícil não se imaginar fazendo o mesmo por outra pessoa.

Kate precisa aprender a viver consigo mesma, aceitar seu corpo, suas escolhas, e poder pela primeira vez ser realmente livre. Isso é inspirador.

Kevin passa a reconhecer seus privilégios e descobre que nunca é tarde para buscar a redenção, o caminho dos humildes.

Randall… que história.

O abandonado que se tornou o acolhedor. Um filho, um pai, um marido. É possível sim ser bom em todas essas coisas, é mais do que possível ser bom. E não adianta apenas acreditar nisso, é preciso agir. Agir contra uma sombra de maldade que lhe força a ser o contrário.

Honestidade, empatia, amor, amizade, humanidade. Tudo isso é This Is Us. Pode ser brega acreditar em algumas dessas coisas, fora de moda. Mas a gente tem que ser cafona, tem que dizer eu te amo, abraçar, chorar, se emocionar. Sair do pedestal, dar um sorriso bobo, ligar pro amigo, tomar a iniciativa.

Jack Pearson não tem a pose de um Don Draper, mas esse sim é um homem que você pode se espelhar sem medo.

“Gosto de pensar que um dia será um velho como eu, falando na orelha de um jovem, explicando como você pegou o limão mais azedo que a vida te ofereceu e o transformou em algo parecido com limonada

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