The Killing me fez chorar. Muito

Algumas lágrimas por essa série

Luide
Luide
1 de agosto de 2016

Série de tv é ficção, mas não significa que não seja real. Não seja paupável para nós. Não significa que temos que enxergá-la como mero produto vazio, sem valor algum, livre de lições. Que seja algo para nos manter anestesiados da realidade, cujo sua única função em existir é gerar audiência, para gerar dinheiro. Se o mundo é assim, quero criar o meu próprio, particular, onde cultura pop é mais do que entretenimento que gera debate acalorado entre fãs de editoras de quadrinhos.

The Killing me fez chorar. Muito. E não tenho a menor vergonha disso.

Que a série da AMC (agora do Netflix) tinha um cuidado em demostrar sua humanidade sempre esteve claro, mas sua segunda temporada selou de vez essa ideia. Toda a investigação envolvendo o assassinato de Rosie Larsen foi além da fórmula básica de crimes a serem solucionados. Foi uma lição sobre luto, família e superação. Uma das coisas mais lindas que tive o prazer de ver em relação a série de tv.

The Killing nunca escondeu seu viés melancólico. Seattle e a chuva que insiste em cair, as lágrimas vindas dos céus. O Sol e a luz foram tirados desse lugar. Todos estão de luto por Rosie. Todos são culpados por Rosie. Nada pode brilhar enquanto essa dor não for superada. Mais importante que a resposta para quem matou a jovem garota, é acompanhar a família Larsen. E como The Killing destrói nesse aspecto.

O luto visto de perto e as diferentes reações. A mãe, o pai, os irmãos. Cada um superando como pode. É pra doer mesmo, incomodar o espectador, afinal estamos falando de uma vida que se foi. E daí que é ficção? Todos nós tivemos que superar o luto algum dia, entender a vida como o ciclo que ela sempre foi. Chorar, gritar, explodir de saudades. Olhar o futuro e ver apenas uma mancha negra. Dói, dói, dói demais perder alguém.

E se The Killing é sobre essa família em luto, não deixa a desejar para seus protagonistas. Sarah e Holder, que união perfeita. Aliás, em uma época onde muito se vale sobre mulheres fortes, deixar Sarah Linden de lado é covardia. Que personagem fantástico, um exemplo que a fórmula “homens difíceis” cabe em qualquer um, independente do sexo. O vício no trabalho, os demônios do passado, a instabilidade emocional, estão todos ali.

Toda expectativa construída sobre quem matou Rosie logo passa e você se entrega pela obra completa. Para de prestar atenção nisso e enxerga os pequenos momentos. The Killing é inteligentíssima. E seu final de segunda temporada é uma mistura de sentimentos. A família Larsen reunida vendo as imagens de Rosie… o que foi aquilo?

Dói lá dentro, mas ao mesmo tempo conforta. Nos despedimos daquela família, que teve seu momento de instabilidade, mas ficou unida. A mensagem é essa. Superar sem esquecer de quem se foi. Nos vemos algum dia… ou não, mas melhor do que acreditar nisso é nos esforçarmos para estar juntos enquanto pudermos.

The Killing… obrigado pelas lágrimas.

Seja assinante e ajude o Amigos do Fórum a seguir crescendo!
Posts Relacionados
  • 21/03/2019

  • Luide

O feio não tem conserto

  • 20/03/2019

  • Luide

Imaginação, forma + conteúdo

  • 06/03/2019

  • Luide

Você está pronto para ser um perdedor?