The Handmaid’s Tale está se tornando uma série insuportável de assistir

Sadismo e desesperança tomam conta da segunda temporada.

Luide
Luide
9 de julho de 2018

É difícil escrever sobre The Handmaid’s Tale. Primeiro pelo fato dessa série tratar de temas delicados e segundo que esses temas falam sobre as mulheres e quem escreve esse texto é um homem. Claro que por um lado é possível analisar e debater questões que envolvem um governo autoritário, a perda de direitos entre outras coisas, mas é inegável que estamos diante de uma série onde a mulher é o norte temático de tudo que a envolve. Portanto fica difícil separar o que é simplesmente achismo masculino das decisões controversas dos roteiristas nesse segundo ano.

A distopia feminista de Margaret Atwood é um marco na literatura que influenciou dezenas de obras do gênero. A série do Hulu segue os passos do livro em sua primeira temporada, mas dado seu sucesso indiscutível, era um tanto obvio que The Handmaid’s Tale esticaria sua história afim de agregar o máximo de valor a marca do serviço de streaming. A pergunta é a que custo, já que o sadismo desse segundo ano transformou a experiência de seguir assistindo em um verdadeiro martírio, hora por cenas completamente desnecessárias, hora pela repetição do sofrimento aliado a um forte tom de desesperança.

É um tanto óbvio que ninguém assiste The Handmaid’s Tale na ânsia de ter seu dia mais iluminado. Estamos diante de um tema muito sério: e se todas as mulheres tivessem seus direitos obliterados e vivessem à margem da sociedade, tratadas como meros objetos a disposição do desejo do homem? Não que isso já não aconteça em diversos países do mundo, seja em maior ou menor escala, mas a série extrapola a realidade e cria sua distopia futurista. Em seu primeiro ano The Handmaid’s Tale trabalhou de forma correta o sofrimento das Aias, sempre contextualizando, através de flashbacks, como tudo chegou aquele ponto.

Com isso a série deixava uma mensagem importante sobre estar sempre alertas ao menor sinal de um governo autoritário. Mas o que se nota nessa segundo ano é o sofrimento em prol do puro entretenimento e diversas cenas corroboram essa suspeita. O exemplo mais difícil de engolir acontece no episódio The Last Ceremony (S02E10), onde a cena do estupro de Emily é completamente jogada ao espectador, de modo que aquela dor seja apenas em prol de um avanço na narrativa da personagem. Ora, já sabemos que as Aias são submetidas a estupros constantes, sendo assim, é necessário a exposição visual desses momentos? Não está claro ao espectador?

Mas quem mais sofre com o sadismo do roteiro é a própria June, que no início da temporada vive um pequeno vislumbre da liberdade para ser novamente jogada a mordaça de Gilead. Até aí tudo estaria dentro de alguma lógica, mas a insistência em desarmar a personagem logo após ela flertar novamente com alguma mudança é enlouquecedor.

Críticas recorrentes.


Desde seus primeiros episódios a segunda temporada de The Handmaid’s Tale vem recebendo críticas a respeito de seu sadismo. O El País a compilar algumas dessas críticas, onde a série recebe o título de “pornô de tortura”.Quem não gostou nada disso foi a própria Elisabeth Moss, que em entrevista ao The Guardian, revelou não tolerar esse tipo de comentários. E mandou: “Não tem coragem de ver uma série de televisão? Isto está acontecendo na sua vida real. Acorde, pessoal. Acordem“.

É justamente dentro dessa linha que fica difícil ter uma análise franca sobre a série. Afinal, será que como homem não estou preparado parar ter um pouco de noção do que algumas mulheres realmente vivem? Ou será que The Handmaid’s Tale vem forçando a mão?

De um jeito ou de outro, o cansaço mental em assistir a série aumenta a cada episódio. A falta de esperança cansa, na realidade e na ficção. Mas sim, ainda é uma série espetacular e cheia de acertos. Só que isso fica pra outro texto.

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