The Handmaids Tale abraça de vez o feminismo e vai direto ao ponto

Série entende sua importância e não abre mão de se posicionar.

Luide
Luide
8 de maio de 2018

Quando estreou no ano passado, The Handmaid’s Tale passou um pouco despercebida pelo radar do grande público em seus primeiros episódios. Lembro que quando escrevi pela primeira vez sobre a série, encontrei poucos textos em português como referência. Mas era questão de tempo até que ela ganhasse o mainstream dado sua importância no atual contexto. Dia após dia o debate do feminismo ganha mais adeptos (mesmo que o número de detratores ignorantes ao tema também aumente) e o papel da mulher na sociedade cada vez mais se torna centro de discussões.

Então The Handmaid’s Tale ganhou força, venceu Emmy, Globo de Ouro e foi destaque em toda boa lista de Melhores do Ano em 2017. Sua primeira temporada foi executada de maneira perfeita, tocando em temas espinhosos com uma precisão única. Era óbvio que uma obra assim não poderia fingir que não sabe qual o seu principal público. E fica claro essa mudança de postura em seu segundo ano.

O feminismo deixou de ser apenas uma alusão e a luta das mulheres apenas uma distopia. Em seus três primeiros episódios desse retorno, The Handmaid’s Tale traz a discussão para o presente e não apenas a reflexão para um futuro distópico. Offred da lugar a June e isso é uma informação importante sobre onde a narrativa pretende nos levar. Sem contar que o aumento no uso de flashbacks tornam as coisas ainda mais palpáveis e claras sobre o objetivo da série: falar sobre mulheres.

Quando June (S02E01) terminou, Camila, minha esposa, estava chorando. Inclusive tuitei sobre isso e algumas respostas só provam um fato: The Handmaid’s Tale tem um impacto diferente nas mulheres. Enquanto homem a série soa como uma ficção, mas para mulheres é praticamente um documentário. Muitas passaram por situações de opressão como aquelas ou simplesmente o medo real de algo assim acontecer. Não é uma fábula, não é uma história de dragões. São homens poderosos dominando o corpo feminino.

É por isso que The Handmaid’s Tale não poderia se esquivar de determinados assuntos. Ao saber, por exemplo, da relação de June com sua mãe, temos ali uma clara tentativa de incentivo para que cada vez mais e mais mulheres se dediquem a pautas como o feminismo e a luta por direitos (ou a simples preservação dos mesmos). É uma série fora da curva, que milita de forma inteligente pois, como já dito, sabe da sua importância, mas não esquece que é um produto de entretenimento. Resumindo: cumpre seu papel de arte.

É interessante imaginar como o Hulu irá tratar The Handmaid’s Tale, já que agora tem em mãos uma série que pode tirar o próximo Emmy Awards de Game Of Thrones, por exemplo. Nenhum canal ou serviço de streaming abre mão de um sucesso assim, agora, apesar de tudo, está claro que a série vai precisar e muito do talento de seus roteiristas, já que se distanciou do livro.

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