The Get Down: a série que custou US$ 120 milhões ao Netflix

A música como salvação

Luide
Luide
15 de agosto de 2016

Fazer TV não é nada barato. Mesmo com todas as críticas sobre sua novela, a Record gastou cerca de R$ 700 mil por cada capítulo de Os Dez Mandamentos. Lá fora, onde séries estão em outro patamar, a casa dos milhões é batida frequentemente. Game Of Thrones, a mais cara da atualidade, custa a HBO a média de US$ 10 milhões por episódios (sabe-se deus como ficou a conta de A Batalha dos Bastardos).

Entre custos de produção e distribuição, a Netflix acaba de bater um recorde salgado com The Get Down, sua nova produção original feita em parceria com a Sony. Cada um dos 12 episódios (sendo que os primeiros 6 já estão disponíveis) custou US$ 7,5 milhões, com o valor total da série de US$ 120 milhões. Isso mesmo.

Não é um número que assusta se levarmos em conta a promessa feita em 2015 de gastar US$ 5 bilhões na produção de conteúdos originais, mas esse valor para apenas uma série é algo realmente novo dentro do serviço de streaming. Tudo pra dar vida a visão do diretor e co-criador da série Baz Luhrmann (Moulin Rogue, O Grande Gatbsy). The Get Down vai até a década de 70, mais precisamente no bairro do Bronx em Nova York, caindo aos pedaços e tomado pela violência e especulação imobiliária, para mostrar o poder e a influência da música em uma geração.

Ao contrário de Vinyl que chegou ao fim sem descobrir sua identidade, The Get Down não tem vergonha de se assumir como uma série musical, e Baz Luhrmann emprega um ritmo frenético como hip hop, e confuso como um grafite, que assim como mostrado no piloto, nem todo mundo consegue entender direito. 90 minutos de cortes rápidos, apresentação de personagens, e muita cultura de subúrbio fervilhando em uma mistura de negros e latinos.

The Get Down escancara na tela seu alto custo de produção, o que não significa maquiar a superficialidade da mesma. Não é algo feito na intenção de reproduzir o bairro como ele um dia foi, mas talvez passar a ideia de que ali, no meio dos escombros e esquecimento dos grandes centros, existe um lugar mágico cheio de jovens sonhadores. Não deixa de ser poética.

Where There Is Ruin, There Is Hope for a Treasure (S01E01)

O mais interessante aqui é notar uma mudança na maneira do Netflix distribuir seu conteúdo. Assim como a terceira temporada de Black Mirror, que foi dividida em duas, The Get Down também chegou “pela metade”. Por um momento fiquei feliz pensando que Stranger Things seria um possível novo padrão de produções enxutas, e The Get Down a continuação. Mas não. Mesmo assim não deixa de ter algumas similaridades com o maior sucesso cultural de 2016. Repleta de referências, The Get Down também fisga o espectador pela nostalgia, seja pela música, ou citações a Star Wars ou Bruce Lee e seus clássicos de kung-fu.

É uma história para quem gosta de ver superação em tela. Pessoas que apesar de tudo contra, conseguem, através de esforço pessoal, superar qualquer barreira. E claro, quem gosta de música, muita música.

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