The Boys e a piada em que estamos inseridos

Série dedicada ao fã deslumbrado.

Luide
Luide
31 de julho de 2019

Dia desses escrevi sobre como a Marvel impede que a empolgação com super heróis enfraqueça. Mesmo depois de uma sequência grandiosa como Guerra Infinita e Ultimato, o estúdio consegue despertar o interesse do fã e também gerar conversas e ansiedade para os próximos lançamentos. É algo que ninguém é capaz de fazer, seja pela inteligência dos executivos por trás desse projeto, seja pela linearidade da qualidade dos filmes ou puramente pelo quase monopólio do entretenimento da Disney.

Mas o fato é que hoje o mundo é dos super heróis e será assim por um bom tempo. Acontece que um filme ainda é um evento, e com os preços dos ingressos de fato se torna algo a ser colocado na agenda. Mas e com séries de TV? Desse lado da tela temos o também quase monopólio da Netflix, as emissoras de TV abertas e outros streaming que cada vez mais ganham destaques. Como dar vida a uma produção baseada em seres super poderosos e ainda assim despertar interesse? A Amazon conseguiu com The Boys.

A série em si é de um cinismo delicioso. A grande piada é justamente esse frenesi todo que se cria com os blockbusters de super heróis. No universo da série, os heróis não são apenas aqueles que salvam o dia: também emprestam seus rostos para campanhas publicitárias, filmes, brinquedos, produtos de limpeza e cereais matinais. Todo o culto sobre essas figuras é administrado por uma única empresa, que lucra bilhões com essa exposição e molda a realidade conforme seu bem entender.

Ou seja, tirando o fato de que na série os super heróis realmente existem, The Boys não é nada diferente do mundo do entretenimento que nós vivemos hoje. O fã deslumbrado que não apenas torce para que a Marvel faça bilhões em bilheteria, mas também acha incrível que a Disney com um único filme use 80% das salas de cinema no Brasil. É essa visão cultural voltada mais para a performance do que pela cultura em si que deixa tudo muito parecido com The Boys.

Não importa se um garotinho negro se inspirou em Pantera Negra, o que importa mesmo é que Ultimato finalmente ultrapassou Avatar.

É com isso que The Boys consegue dar uma leve diferenciada do que se está sendo feito, mesmo que não seja lá um primor. É divertida no fim das contas, tem um carisma interessante. É engraçado como eles conseguem adaptar afetações da indústria para aquele universo. Por exemplo, as tentativas de implantar diversidade nos filmes: não porque isso é o correto e natural a ser feito, mas por uma questão mercadológica. O mesmo acontece em The Boys, quando algoritmos percebem um maior engajamento se os heróis agem em duplas.

Tanto lá quanto cá o tema é dinheiro. Acima dos seus sonhos, da diversidade e da paixão pelo extraordinário. Tudo está embaixo da tutela de alguém sempre muito disposto a lucrar. Pode parecer papo de adolescente revoltado, mas, não tão diferente assim de The Boys, esse é o mundo real.

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