Terror em Chernobyl

Mini-série da HBO mistura terror e política para narrar o incidente de Chernobyl.

Luide
Luide
15 de maio de 2019

Era abril de 1986 e o pior desastre nuclear da história acontecia na usina de Chernobyl. Qualquer um aqui que cresceu na década de 90 cansou de ver e ouvir relatos do que aconteceu naquele dia e também sobre a cidade fantasma que ali ficou. Mitos, lendas… o terror de um acidente nuclear, o medo da radiação. Tudo parece ter sido realmente assustador.

E foi. Foi muito pior.

É difícil para o nosso imaginário desenhar de fato a gravidade de um acidente nuclear. Naquela madrugada, quando o núcleo do reator 4 explodiu, somente aqueles que foram expostos ao poder destrutivo daqueles materiais radioativos tem noção do horror que seguiria. Chernobyl, mini-série da HBO, tenta reproduzir esses momentos.

O clima tenso toma conta do episódio piloto do início ao fim. Começa com um suicídio dois anos após da explosão (mostrando que os envolvidos da época se meteram em problemas com o governo soviético) e acaba em uma cena bastante ilustrativa da gravidade da situação naqueles dias: enquanto alunos vão normalmente a escola na manhã seguinte ao acidente, um pássaro que já sentia os efeitos radioativos cai morto no chão.

Com isso Chernobyl já fecha o espectador em uma ideia: os eventos que sucederam após o incidente são terríveis e é isso que você irá acompanhar ao longo dos 5 episódios, não espere nada diferente. É terror do começo ao fim. Sem momentos leves, sem humor, sem nada disso. A produção da HBO, como de costume, é impecável, mas a série vai além de apenas simular a explosão e suas consequências. Existe todo um foco em como o governo soviético tentou esconder o desastre em Chernobyl. Para Craif Mazin, criador da série, “É o tipo de acontecimento que nenhum de nós jamais deveria esquecer” e por isso o forte tom político no roteiro.

As diferentes hierarquias de poder, a forma usada para maquiar os vestígios e tudo para transformar a explosão em Chernobyl em um simples incêndio. E enquanto alguns operários vomitam sangue e perdem pedaços do corpo horas depois do ocorrido, os líderes soviéticos se movimentam para criar uma narrativa mais simples. Essa mistura em trillher político com terror cria uma atmosfera incômoda, difícil, mas no bom sentido: Chernobyl cumpre seu papel em transportar o telespectador para aqueles dias com muita eficiência.

No mais, Chernobyl questiona o papel do Estado e de seus governantes diante de algo que impacta diretamente a vida de inocentes. Em um Brasil onde barragens se rompem e pessoas são mortas de forma sistêmica em bairros periféricos, cobrar transparência e efetividade é um dever da população. Afinal de contas, nunca se sabe o tipo de mentira que pode surgir enquanto pessoas estão perdendo suas vidas, suas casas e dignidade.

Não precisa uma usina nuclear explodir no seu bairro para que esse tipo de coisa aconteça.

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