“Tem na Netflix?”: o brasileiro desaprendeu a baixar filmes e séries

A nova geração que não faz download.

Luide
Luide
28 de janeiro de 2018

O título dessa matéria mais parece de um Brasil distópico, afinal, estamos falando do país do “jeitinho” onde todo mundo sai de casa pra levar vantagem. Mas o improvável está acontecendo: o brasileiro está deixando o download ilegal de lado e cada vez mais pagando pelo que se consome. A verdade é que da pra contar nos dedos quem deixa de fazer um download ilegal por peso na consciência (“isso é errado, vou parar”), o motivo desse tipo de busca estar diminuindo é facilidade que o modo legal cada vez mais oferece, e nesse aspecto, ninguém contribuiu mais para conter o avanço da pirataria que a própria Netflix.

Preço justo, catálogo convidativo e seu filme ou série a um clique de distância. A facilidade que os serviços de streaming promovem torna o espectador dependente daquilo, e com isso, finalmente temos um mercado consumidor que vale a pena ser notado. Cada vez mais séries são transmitidas simultaneamente com os EUA (país de onde vem a maioria das nossas séries favoritas), ou com janelas de exibição cada vez menores. The Walking Dead é um exemplo claro de como o esforço da FOX em exibir a série com a menor janela de tempo fez diferença: antes exibida às terça, TWD passou a ser transmitida no domingo, e com isso, já colocou o canal a cabo batendo de frente em audiência com TV aberta.

Outro atrativo para se consumir conteúdo na legalidade é a opção de dublagem. Tanto a FOX quanto a Netflix mostram que o brasileiro gosta mesmo é de séries e filmes dublados. E enquanto existem dezenas de ótimos sites que fornecem legendas, o fã da dublagem acaba esperando pela exibição na TV ou simplesmente a série da vez chegar em algum serviço de streaming.

Apesar da pirataria ser crime, sem ela, a cena nerd/pop no Brasil não teria o peso que tem hoje. Muitas séries demoravam pra chegar oficialmente por aqui (isso quando chegava). O pessoal que hoje lota convenções nerds teve que ralar muito na madrugada em busca de algum torrent para poder assistir LOST ou Breaking Bad. Mas mesmo que o acesso a séries pops esteja cada vez mais fácil (as séries Marvel e DC são um exemplo da boa distribuição por aqui), nem tudo são flores.

Fargo levou três anos para chegar a Netflix. The Handmaid’s Tale, série vencedora do Emmy, chega ao Brasil pela Paramount Channel apenas em Março, quase um ano depois da sua estreia. Ainda tem um logo caminho pela frente, mas tanto o espectador quanto os canais e serviços de streaming parecem caminhar na mesma direção. O primeiro cada vez mais opta por um produto legal, de boa qualidade, e com toda a facilidade de acesso. O segundo cada vez mais entende seu público.

No fim das contas todo mundo sai ganhando.

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