Tem horas que a gente cansa dessa tal “cultura nerd”

Toda vez é a mesma coisa. A mesma coisa. A mesma coisa.

Luide
Luide
24 de agosto de 2017

Em 2018 completo 10 anos de blogosfera, termo que nem se usa mais, porém, nessa década, vi a internet mudar, virar do avesso, estrelas nascerem e morrerem. Também vi o consumo de cultura pop entrar em ascensão e se tornar algo rotineiro na vida de muita gente. O Amigos do Fórum é fruto dessa explosão. Nunca me vi como nerd e sequer cogitei tentar me tornar um. Mas em tantos anos lidando com cinema e séries, percebi que chega um momento onde o cansaço toma conta, já que certas coisas parecem não mudar. Ou melhor, a cabeça da maioria não muda.

Essa semana a notícia que a atriz Anna Diop irá interpretar a personagem Estelar em uma série dos Novos Titãs mostrou exatamente como pouca coisa, ou quase nada, mudou. Os mesmos comentários de sempre, questionando a escolha de uma atriz negra, aquela conversa fiada de semelhança física com a personagem e aí por diante. Resumindo: desculpas para seguir destilando preconceitos.

Faça o teste: vá nos principais portais de cultura pop/nerd -> procure por essa notícia -> leia os comentários.

É desanimador que esse tipo de discussão ainda exista em uma época onde tanto se fala sobre diversidade e inclusão. Sabe aquela garotinha na Comic Con que chorou diante da Mulher Maravilha? Isso é inclusão, ela finalmente se viu representada.

Enquanto isso, na internet, um monte de adulto expõe o quão tóxica é a comunidade que, em tese, deveria ser a mais acolhedora possível. O tal do “nerd” por décadas foi marginalizado, visto como uma aberração social, mas hoje, graças ao POP da expressão “cultura pop” estar mais em alta possível, seus gostos são comuns e ele não precisa mais ter vergonha de usar uma camiseta de Star Wars. E sabendo que sua comunidade hoje está evidência, sua responsabilidade é ainda maior: abrir as portas para novas pessoas e dar calorosas boas vindas.

Mas o que se vê é um show de horrores. As pessoas assistem séries, filmes, leem quadrinhos e animes que falam sobre empatia, amor, solidariedade, respeito e não entendem absolutamente nada. Nada. Zero. Se gaba por saber de cor das falas dos quadrinhos dos X-Men, mas é o primeiro a comentar “não sou racista, mas…“. É inaceitável que esse tipo de coisa aconteça. Material para reflexão é o que não falta. Para pra pensar naquilo que você consome. Um minuto apenas é suficiente.

Cansa falar sobre isso porque a construção de um diálogo só acontece quando os dois lados estão dispostos a ouvir. Quando um deles age como criança, colocando as mãos no ouvido e gritando LÁLÁLÁLÁ fica difícil. O Amigos do Fórum ter orgulho de estar inserido nesse meio, e trazer textos diários aqui sempre foi um prazer. Nunca foi minha pretensão mudar a vida de ninguém com algumas linhas, mas sinto uma responsabilidade naquilo que entra. No post “No “Dia do Orgulho Nerd”, mulheres expõem o lado tóxico dessa comunidade” falei de como o nascimento da minha filha colocou tudo sob uma nova perspectiva.

Espero que um dia o “mundo nerd” que talvez ela faça parte seja mais acolhedor. Porque nesse momento… tá f#da.

Seja assinante e ajude o Amigos do Fórum a seguir crescendo!
Posts Relacionados
  • 21/06/2018

  • Luide

O cinto da Off-White custa “mil dolls”. E seu criador acaba de fazer história

  • 21/06/2018

  • Luide

Simplesmente Elisabeth Moss caminhando por 6 minutos ao som de Max Richter

  • 13/06/2018

  • Luide

A exceção não pode se tornar o regra: o seu papel no combate ao “nerd tóxico”