Tarde demais pra reclamar de Game Of Thrones

Não gostou desse episódio? Pois é.

Luide
Luide
29 de abril de 2019

Precisamos aceitar que Game Of Thrones se tornou uma fanfic” é texto mais lido da história desse site com mais de 11 anos de estrada. Em 2017 quando a sétima temporada entregou o deprimente episódio Beyond the Wall (S07E06) minha única reação foi a de completo luto: a série que tanto amei e desenvolvi obsessão estava completamente perdida em sua reta final. Sem os livros e muito menos a consultoria de George R.R. MartinDavid Benioff e D.B. Weiss pareciam confusos e ansiosos em conduzir os eventos que iriam concluir a história. A missão não era nada justa, afinal de contas, com tantas amarras, tantos plots etantos personagens para dar um desfecho, como honrar o que foi feito até então? Além da megalomania que o público sempre espera de um “final”.

Tecnicamente Game Of Thrones dificilmente erra e por isso a conta não chegava. As péssimas decisões foram acobertadas por excelentes efeitos visuais açucarados com o tal do “fanservice“, a ideia mais imbecíl que se cultiva na cultura pop atualmente. Pra ser bom o “fã” tem que ser compensado, como se o autor em si não tivesse poder algum sobre sua própria obra, e convenhamos que isso nunca foi a cara de George R.R.R Martin. Série errada pra “ser fã e quer service“.

De todo modo, era um tanto óbvio que nem mesmo todo o fanservice do mundo iria segurar uma legião de pessoas que há quase uma década aguarda por uma conclusão decente e um mínimo de honestidade e respeito com tudo que foi construído. The Long Night (S08E03) era um desses episódios decisivos, já que um embate que começou a ser desenhado já na primeira cena da primeira temporada finalmente iria acontecer.

O Rei da Noite é um desses vilões que se impõe sem dizer uma única palavra e todo folclore criado em cima de sua figura dava mais peso para o que iria acontecer. Como vencer a Morte? Gelo e Fogo iriam finalmente travar uma batalha.

The Long Night em si não é tão problemático. O que torna esse episódio tão confuso e cheio de erros são os eventos que o antecedem. Tudo que de errado pautou a sétima temporada ficou evidente aqui: o poder de fogo de Daenerys indo por água abaixo, seus dragões imponentes se transformando em meros pets, seu exército conquistado com muito suor servindo de bucha de canhão e claro, a própria personagem se transformando em uma figurante a altura do Cão ou Sr. Davos. Com ela apagada e um inimigo virtualmente impossível de ser derrotado, a série precisava tirar um coelho da cartola.

E assim o fez. Dentro do que foi estabelecido pelos showrunners nesses últimos episódios, a derrota do Rei da Noite vir pelas mãos de Arya é aceitável, já que o tal do “fanservice” agora é o Norte moral. Ela que nunca sequer teve contato com o personagem ou muito menos um vínculo narrativo foi a responsável por dar fim em tudo. Foi incrível? Sim e é isso que importa daqui em diante. A série que um dia tirou a cabeça de Ned Stark quando você menos esperava inverteu sua lógica.

Pelos menos nós sabemos que é sempre possível existir algo pior que a morte: Cersei Lannister nos aguarda em Porto Real.

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