Tão boa que nem parece Netflix

MindHunter está de volta.

Luide
Luide
19 de agosto de 2019

Ter conquistado o monopólio do entretenimento em streaming não foi uma tarefa fácil. É preciso aplaudir o empenho da Netflix nessa jornada que envolveu não apenas tecnologia, catálogo e preço, mas também a forma como ela se comunica nas redes sociais e até mesmo sua estratégia de conquista a manutenção de alguns nichos. Muita gente hoje trata a empresa como uma colega de classe, humaniza a ponto de dizer que ela tem “gênero” e defende com unhas e dentes.

Com tantas coisas “legais”, a Netlfix se da ao luxo de produzir muita, mas muita porcaria sem que isso gere alguma desconfiança por parte do grosso de seus assinantes. A série é ruim? Tanto faz, mês que vem tem outras nove estreando. Então quando algo realmente bom chega ao catálogo, principalmente em formato de série dramática (o grande ponto fraco do serviço) é comum dizer que “nem parece Netflix” ou “parece série da HBO“. É o caso de MindHunter.

O título desse texto repete o de 2017, quando escrevi pela primeira vez sobre MindHunter. É de fato uma série que difere do todo resto que é produzido por lá, e tudo graças a duas figuras centrais da produção:  Joe Penhall, criador e roteirista, e David Fincher, produtor e diretor. Fincher que tem em sua carreira dois “jovens clássicos” do cinema de serial killers, entra de corpo e alma nesse projeto. Na segunda temporada, os três primeiros episódios são dele, o que da ao fã uma deliciosa sensação de estar diante de algum novo filme do diretor (que desde 2014 não tem nada novo).

MindHunter funciona tão bem por ser um estudo de seus protagonistas, principalmente de Holden, que retorna ainda mais afetado pela sua obsessão com o trabalho. Mas mesmo que essa trajetória do protagonista seja o principal fio condutor na série, é fato que o auge dela acontece nos encontros entre os agentes com os psicopatas. Apesar da tensão e do incômodo, o clima é tão bem conduzido por Fincher que você não quer que termine. A série tem seu tempo, seu ritmo em contar a história e o mais surpreendente de tudo é não cair nas regrinhas que se formaram em produções do tipo: episódios longos e temporadas infladas.

É por isso que MindHunter fica deslocada do restante das produções da Netflix. São poucas as que conseguem fazer diferente em um lugar onde cada vez mais o padrão é que comove a audiência. Óbvio que não se trata apenas de um problema da Netflix, mas em todas as plataformas e canais. The Boys da Amazon é um exemplo disso: apesar da série ser divertida, episódios com uma hora de duração cravadinhos já deveriam ser uma ideia do passado -ao menos que você tenha calibre pra segurar o espectador por tanto tempo assim sem perder a qualidade.

E MindHunter está tão preocupada em ser uma obra longe dessas bobagens que além de Fincher, apenas outros dois diretores trabalham nessa temporada: Andrew Dominik (2×4, 2×5 e 2×6) e Carl Franklin (2×7, 2×8 e 2×9), coisa bem rara de ver por ai e como isso engrandece a série…

Com a chegada de novos players no mundo do streaming, não me parece lógico que séries como MindHunter ganhem destaque. O mundo do conteúdo ilimitado está mais próximo da TV aberta do que de uma HBO. Mas tudo bem, só não pode faltar uma produção aqui e outra ali pra gente seguir dizendo que é “tão boa que nem parece da XXX“.

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