Supermax é apenas mais um produto da tv aberta

Não foi dessa vez

Luide
Luide
22 de setembro de 2016

Criou-se uma expectativa um tanto alta a cerca da estréia de Supermax, nova série original da Globo, que dessa vez chamou a atenção da internet e dos fãs por flertar com um gênero raramente visto na tv aberta e por seguir as novas regras do consumo de conteúdo. Os primeiros episódios estrearam primeiro no serviço de streaming Globo Play, em uma espécie de teste para a plataforma, que provavelmente será a forma da Globo competir com o avanço da Netflix no Brasil.

Ainda não existe nada muito revelador sobre os planos da Globo para o Globo Play, mas é certo o que aconteceu com Supermax se torne um padrão daqui pra frente, com séries ou novelas sendo disponibilizados primeiro lá, depois da maneira convencional. Talvez funcione, é um processo natural a familiarização com o novo. Quando a audiência do canal descobrir que poderá assistir sua programação quando eles quiserem e onde quiserem, será uma mudança e tanto. Enquanto isso, precisamos ter em mente que essa história de streaming não é lá muito comum no Brasil.

Dito isso, Supermax parecia ser a primeira produção da Globo voltado ao público consumidor de séries americanas. Com uma pegada meio ficção científica, meio horror, Supermax chegava com essa cara de revolução de conteúdo. E muita gente acreditou. A verdade que a série é apenas mais um produto feito para a TV aberta e não há nada além disso.

É claro que a tv aberta não é uma tragédia. Novelas brasileiras, principalmente as da Globo, tem seu sucesso e qualidade reconhecidas. Para um determinado público. Minha mãe não vive sem Velho Chico, assim como eu não vivo sem Mr. Robot. Somos dois públicos completamente diferentes, e Supermax foi uma série pensada para mim, mas feita pra minha mãe. Não tem nada de novo e muito menos criativo, ao menos é essa a sensação que seus dois primeiros episódios passam.

Uma mistura um tanto estranha de formatos e gêneros, com uma participação vergonhosa e desnecessária do Pedro Bial. Não da pra entender a ideia inicial. Parodiar um produto da própria casa de uma maneira tão óbvia deu a série um problema que ela não precisava. Associar Supermax a ideia banal de um reality show foi um erro. Outro problema (e talvez o maior deles) são os diálogos terríveis e expositivos que acontecem o tempo todo e falta de naturalidade em executá-los. O elenco é completamente mecânico e ninguém parece estar a vontade fazendo aquilo, e o mais bizarro, é que justamente as duas atrizes mais experientes na tv (Cléo Pires e Mariana Ximenes) são as piores em cena.

Se talvez fosse pensada e desenvolvida visando apenas a Globo Play, Supermax teria a liberdade criativa suficiente pra ousar de verdade. Mas a tv aberta cobra seu preço. Bastante mecânica, simplista e sem personalidade, Supermax é um fruto da plataforma que é exibida. Nada de novo, uma pena. O triste é saber que a Globo tem tudo que é necessário pra criar algo realmente original: dinheiro, profissionais, ótimos atores e criativos. Não faz porque sua audiência, o brasileiro médio, não vai gostar.

Não é uma série para quem está acostumado com produções americanas, infelizmente. É pra quem está acostumado com A Grande Família, Malhação, Avenida Brasil…

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