Steven Soderbergh entrega mais uma temporada impecável de The Knick

Segundo ano se encerra de maneira visceral e na dúvida de uma terceira temporada

Luide
Luide
23 de dezembro de 2015
 

Poderosa. Agressiva. Poética. O segundo ano de The Knick é uma mistura de sentimentos. O drama do Cinemax escrito por Jack Amiel e Michael Begler se firma como um dos melhores da tv, e que sua excelente temporada não era sorte de principiante.

A produção segue afiadíssima. As lentes cirúrgicas de Steven Soderbergh estão de volta para novos 10 episódios, e ao lado da trilha sonora inacreditável de Cliff Martinez, fomos transportados para a Nova York de 1901, para vivenciar situações que pautariam o século XX, um misto de ficção e contexto histórico que faz de The Knick uma obra indispensável para qualquer fã do gênero.

O segundo ano de The Knick foi sobre vícios e limites. Cliven Owen brilha mais uma vez como Dr. John Thackeray, o sistema nervoso da obra. Personagem fascinante que conduz a série com sua inquietação e necessidade de transpor barreiras. Thackerey é um visionário, a frente ao seu tempo. Ele pode não viver o suficiente para deslumbrar o futuro que tanto almejou, mas foram homens como eles que o construíram. Apesar da determinação quase insana e de métodos pouco ortodoxos, foi graças a vários Thackereys que, não só a medicina, mas a tecnologia deu passos gigantescos nos últimos 100 anos.

E The Knick também tem a mudança em seu DNA. Existe ali um senso de urgência, que o mundo está prestes a mudar radicalmente a cada novo amanhecer. E de fato estava. The Knick aborda temas tão sérios e cruciais que em alguns momentos torna-se até incomoda, afinal, eugenia, racismo e questão migratória ainda pautam nossa época.

Cliven Owen é o sistema nervoso, a mudança é o DNA, e Steven Soderbergh é alma. O diretor da um verdadeiro show e transforma The Knick na série mais bela de 2015, mesmo com grandes concorrentes como Mr. Robot e Fargo. Ele ousa, experimenta, coloca a câmera aqui, ali, carrega ela nas mãos. As luzes amareladas, o vermelho do sangue, a opressão dos ambientes pouco iluminados, o branco dos hospitais que combina com a frieza do local. É pra babar.

The Knick é a cocaína de Soderbergh

É como se The Knick fosse o vício de Soderbergh e por isso ele tem esse tesão em filmá-la. É talvez esse vício do próprio diretor, sua necessidade por experimentar, que da uma carga ainda maior a Thackeray. É impossível não traçar um paralelo.

A season finale foi The Knick em essência. Sangrenta e poética. O futuro incerto soa como um insulto a boa tv, mas a série é apenas mais uma vítima da falta de interesse do público médio. O flerte final com possíveis temas do terceiro ano emociona pela inteligência que aquilo foi construído.

Personagens partem, mas The Knick não pode morrer.
Precisamos de mais operações comandadas por Steven Soderbergh, o verdadeiro cirurgião da série.

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