“The Sopranos”: fui pro divã junto com Tony Soprano

Ou: como comecei a saldar minha dívida com "The Sopranos"

Luide
Luide
2 de julho de 2014
 

Dia desses eu comentei aqui no blog sobre minha atual carência com séries e como, em uma busca por algo bom pra assistir, acabei descobrindo “Vikings”. Mas acompanhado de um belo copo de cerveja, eufórico pelo que eu estava vendo, zerei a série em um fim de semana. Lá estava eu, órfão novamente. Então comecei a ler as dicas dos amigos do fórum, fiz uma listinha e refleti sobre onde começar. MAS, antes de partir pra alguma nova série eu tinha uma dívida a pagar

A Cosa nostra e tal…

Deixe o glamour da máfia de lado ao assistir “The Sopranos”

Filmes de máfia são, de longe, meus filmes favoritos. Scorsese, Coppola, Brian De Palma e até mesmo Tarantino com “Pulp Fiction“, são exemplos de diretores que trouxeram ao mundo obras fantásticas sobre essa coisa de máfia, gangster, família e etc. É claro que, como estamos falando sobre cinema, nem tudo é 100% real. Existe sim uma certa similaridade e personagens caricatos. Mas nunca, em hipótese alguma, podemos contestar a grandeza de obras como “O Poderoso Chefão” e “Os Bons Companheiros“.

Porém ao me sentar ao lado de Tony Soprano, o afetado capo de uma organização mafiosa, percebi que “The Sopranos” passa longe da glória do que um dia foi ser mafioso. Ou assistir uma obra desse gênero. Em “The Sopranos” os mafiosos estão constantemente acoados com medo dos federais, assistem de perto o mundo moderno se tornar um lugar pouco hospitaleiro para seus jogos.

A série tenta mostrar um lado não tão glamouroso de um mafioso, onde Tony precisa lidar com a pressão tanto de seus negócios, quanto de sua família. E essa pressão torna o protagonista tão frágil quanto qualquer ser humano, levando-o a uma crise. E é quando ele procura ajuda de uma psicóloga, que somos inseridos no enredo da série, e não precisa mais do que um episódio pra você perceber que está diante de uma obra prima. Uma série essencial pra qualquer fã. Uma série obrigatória.

Dívida a ser paga


Um dos grandes prazeres que a vida de blogueiro me concede, é poder falar aqui no AdF sobre as obras que acompanho. Não teria tanta graça assim ver algo bom e não ter pra quem contar. Ou não ter tantas pessoas assim pra contar. Então, ao longo desses anos, vocês já me viram pirar com Breaking Bad, House Of Cards, Game Of Thrones e etc, mas eu sentia que algo faltava por aqui. E era “The Sopranos“. Eu precisava pagar essa dívida, precisava descobrir porque o sindicato dos roteiristas norte-americanos elegeu “The Sopranos” como a série mais bem escrita de todos os tempos. Sem contar aquela pulga atrás da orelha, ao saber que Vince Gilligan, criador de Breaking Bad, declarou que Walter White era uma espécie de “filho” de Tony Soprano.

A história da TV seria mudada dali pra frente, principalmente no que diz respeito a conta uma história. O personagem sem escrúpulos, mas de grande adoração do público. “The Sopranos” e Tony iniciaram uma nova era.

Vinge Gilligan: “sem Tony Soprano, não existiria Walter White”

Aquele sentimento confuso onde o errado nos parece certo. Típico de filmes de máfia. Ninguém está afim de ser o cara do FBI, todos querem ser o Don. Mas Tony, assim como os outros excelentes personagens da série, me parece mais palpável. É mais fácil imaginar você trombando na rua com Tony Soprano do que com Tony Montana.

E se o Sindicato dos Roteiristas Americanos elegeu o roteiro de “The Sopranos” como o melhor já feito, quem sou pra dizer o contrário. Ele é perfeito, sem falhas, sem brechas, sem furos. Cada diálogo pode se tornar memorável dependendo do seu humor naquele momento. As conversas, os desdobramentos… tudo se encaixa perfeitamente. É como ver um filme de 13 horas. Cada episódio possui seu próprio arco fechado, desenvolvendo e revelando aos poucos a relação de Tony e sua família (entenda-se por família tanto os de sangue quanto os da organização). Mas também não conversam sozinhos, cada episódio é um ato que se completa ao final de temporada.

The Sopranos” é sem dúvidas uma das melhores obras que já tive o prazer de assistir. Fico feliz por, de uma vez por todas, ter começado.
Dívida paga aqui no blog, me da licença que eu preciso voltar ao divã com a Dra. Jennifer.

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