Six Feet Under: série boa não precisa de muito pra se provar

Sim, só comecei agora a ver uma das séries responsáveis pela revolução na tv

Luide
Luide
27 de fevereiro de 2016

Quando Sopranos fez aquele estrago na HBO e mudou a maneira de fazer tv de qualidade, não se imaginava que essa revolução não demoraria tanto assim pra começar a dar frutos. Bastou pouco mais de um ano para que Alan Ball, recém vencedor do Oscar por Beleza Americana, colocasse no ar Six Feet Under, sua série dramática sobre uma família que herda uma funerária.

No ar de 2001 a 2005, Six Feet Under é um dos “jovens clássicos da TV“, drama que ao lado de Sopranos e The Wire, foi responsável por encabeçar a Terceira Era de Ouro da Televisão. E adivinha quem ainda faltava no meu currículo? Pois é.

Essa ERA DE OURO da TV seria marcada por “Cavalos de Tróia”: o tema que vendia a série (máfia, tráfico de drogas e empresa funerária) seria apenas o convite pra fisgar o espectador mais esperto e levá-lo para uma viagem cheia de temas complexos e personagens fascinantes. Assim, Six Feet Under é muito mais do que seu título sugere (no Brasil foi traduzida como A SETE PALMOS), e bastaram apenas 4 episódios para eu perceber que estava diante de uma obra prima.

O primeiro episódio é um espetáculo e só confirma a importância do piloto, principalmente em uma época onde séries de tv não eram tão valorizadas e hypadas quanto hoje. Veja a quantidade de lixo que é cuspido na sua cara que não consegue nem mesmo passar da primeira temporada. Já em 2001, quando Six Feet Under foi ar, era tudo muito pensado e calculado. Era preciso situar o espectador, dar a ele uma pequena amostra do que viria acontecer mais pra frente. É como se o último episódio estivesse na mente de Alan Ball quando o piloto estreou.

A forma de Six Feet Under é diferente das séries que estou acostumado. Pode-se pensar, de início, que estamos diante de mais uma série procedural, mas não acredito que seja. As mortes que abrem o episódio não se tornam casos da semana, mas são apenas acontecimentos que dão ritmo ao roteiro que sabe muito bem explorar as situações criadas. Aliás, algo que já considero genial é como essa espécie banalização da morte (as pessoas morrem e isso é fato, e pior: morrem a qualquer momento e de qualquer jeito) é necessária para entrar no clima.

Tudo porque a morte é algo natural que a humanidade ainda não aprendeu a encarar. Mas não existe um clima mórbido em Six Feet Under, aliás, é durante o piloto que temos um belo momento envolvendo Nate, durante o velório de seu pai (relaxa que isso não é spoiler), onde ele em extremo luto deixa aflorar seus sentimentos naquele momento.

Cara, que elenco F#DIDO!

Não é exaltar o luto, mas sim entendê-lo como parte de um ritual de partida. É no luto que nos despedimos e deixamos que a pessoa amada descanse. Colocar pra fora sua dor não deve ser motivo de vergonha, mas de orgulho, afinal, o mundo precisa saber o quanto a pessoa que se foi era importante pra você.

Então Six Feet Under começa se mostrando uma série sobre aceitação. A mãe (Frances Conroy como Ruth, a melhor personagem até aqui) que se vê sozinha após décadas casada e precisa redescobrir a vida, o filho mais velho (Peter Krause como Nate) que retorna para assumir suas responsabilidades e servir como figura paterna para os irmãos. Irmãos, aliás, que vivem suas próprias provações, enquanto a mais nova (Lauren Ambrose como Claire) tem todo o drama adolescente, David (Michael C. Hall) precisa lidar com sua homossexualidade enquanto carrega o peso de ser o único membro da família que conhece o negócio como o pai.

Six Feet Under, como qualquer série decente, não precisa de muito pra te fisgar e mostrar que é excelente. Eu não poderia começar 2016 melhor, com uma obra prima que faz jus a fama. Que venham os próximos episódios e temporadas.

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