A série que você provavelmente não irá assistir, mas pode te ensinar muita coisa

Abstract voltou.

Luide
Luide
7 de outubro de 2019

Nos últimos anos somente duas coisas não me fizeram cancelar minha assinatura da Netflix. A primeira é a grande oferta de conteúdo infantil e minha filha sem dúvida alguma é a maior expectadora do serviço de streaming na minha casa. A segunda são as séries e filmes documentais produzidas ou financiadas pela Netflix. É justamente nesse gênero que a empresa se torna insubstituível e garante o pagamento dos meus R$ 32,90 mensais.

É tanta coisa boa que inclusive me falta tempo para assistir. E 2019 foi definitivamente o ano em me vi obrigado a filtrar o máximo possível daquilo que eu iria dar play. Mas pelo menos uma coisa tinha certeza: alguma série documental da Netflix iria valer a pena o tempo gasto. E sempre vale. Abstract é uma delas.

A segunda temporada estreou e é tão boa quanto a primeira, sempre buscando criativos e criadores para tentar entender o que se passa na cabeça de alguém que dedica toda sua vida e esforços para o design. Aliás, para um leigo como eu, Abastract tem um significado diferente, talvez um jeito errado de olhar para o trabalho dessas pessoas.

Nada me tira da cabeça que o que essa galera faz é arte. Sim, arte. Na primeira temporada temos Tinker Hatfield falando sobre tênis. É um produto de design feito para atender uma demanda específica? Claro, mas a forma como esse produto se relaciona com a cultura ao seu redor é o que eleva ao título de uma obra de arte. Ninguém me fará mudar de opinião quanto ao Jordan 1, tênis que moldou a cultura streetwear como nós conhecemos. Não é somente “design“.

O mesmo vale para os protagonistas da segunda temporada. Jonathan Hoefler é um designer de fontes americano. Sua vida é essa: criar fontes. Pode parecer algo estúpido, mas a forma como as letras desse texto estão aparecendo pra você foram exaustivamente desenhadas e redesenhadas em um processo que pode levar anos. É um dos melhores episódios em série que vi em 2019. É o tipo de coisa que você não da o menor valor até descobrir como aquilo é feito.

Enfim, Jonathan não pega simplesmente uma demanda e faz. Quer dizer, ele faz, mas existe todo um estudo de caso, um trabalho artístico minucioso, que torna um simples H praticamente um calvário. Não da pra olhar pro trabalho desse cara e dizer “ok, ele é só um designer“. Eu não consigo e me dou o direito de achá-lo sim um grande artista.

Abstract é esse olhar para aquilo que não nos importamos. Nossas cadeiras precisam ser confortáveis, as portas precisam se abrir e as calças servirem. Você não interessa pelo processo criativo daquilo, no fundo, acha que são apenas pessoas criando por demanda e nada mais. Mas o fantástico de olhar aquilo que não nos importamos é descobrir um mundo de novidades e inspirações. Quem poderia imaginar que a história de Ian Spalter, o cara que cuida do visual do instagram, poderia revelar tanta coisa sobre esse aplicativo?

É bem provável que você não assista Abstract. Não é algo que chame a atenção de todo mundo. Mas caso de play lembre-se desse texto: alguma coisa nova você irá aprender. E é disso que se trata.

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