Se for pra fazer “Oscar Bait”, que seja como “1917”

PQP. Que filmão.

Luide
Luide
23 de janeiro de 2020

Guerras são eventos traumáticos para a humanidade. Mudam a geopolítica e moldam a sociedade pra sempre. Não é de se admirar que ano após anos, histórias ainda sigam sendo contadas sobre elas, principalmente aquelas que se desenrolaram no século XX. As chamadas “Guerras Mundiais” são as favoritas de escritores, poetas, pintores, cineastas, desenvolvedores de games, roteiras… cada um reconta um determinado evento ou período e assim, já que o que não faltam são momentos marcantes e surreais de proporções épicas, temos novas obras sendo lançadas a todo tempo.

Você certamente já se perguntou “mais um filme de guerra?” assim que um novo filme baseado nesses conflitos foi anunciado. Quando Christopher Nolan veio com Dunkirk, tive essa sensação. Mas ir ao cinema e assistir novamente a uma encenação Operação Dínamo foi satisfatório, já que Nolan reconta a história segunda sua visão de realizador. Com 1917 foi mais ou menos assim: o que mais pode ser contato da Primeira Grande Guerra, que já completou 100 anos?

Sam Mendes deu um jeito e contou.

Veja, 1917, assim como Dunkirk, não é bem daqueles filmes de guerra emotivos como sei lá, um Steven Spielberg faria. No fundo, falta alma e apego aos personagens, já que devido a urgência criada pela narrativa, eles se tornam meros peões diante da grandeza dos acontecimentos. Se em Dunkirk as diferentes linhas temporais (e a trilha de Hans Zimmer) deixavam o espectador grudado na cadeira, aqui é a forma como Sam Mendes escolheu filmar. Ai não tem como não dar todos os créditos possíveis para Roger Deakins.

Filmado como se fosse um plano sequência de quase duas horas, 1917 se torna sim uma experiência inédita quando se fala de filmes de guerras. A sensação de estar jogando algum game do gênero é bastante familiar, já que a noção de espaço do ambiente e distância percorrida pelos personagens é bem fácil de perceber. A cena em que os dois soldados atravessam pela Terra de Ninguém é exatamente isso.

São tantos momentos incríveis que você pouco se importa se é, como dizem alguns, pura “punhetação técnica“. Na maioria das vezes você se esquece do tal plano sequência e a imersão é muito satisfatória. É cinemão. Técnico sim, mas cinemão. E dos bons. É Oscar bait sim, mas dos bons. E por isso tem tudo para se tornar o verdadeiro queridinho do grande público, mesmo em um ano com tantos filmes incríveis indicados a categoria de Melhor Longa Metragem (algo que não acontece há mais de 10 anos).

Você pode esperar pelo streaming, pela versão pirata, mas filmes como 1917 merecem a boa e velha tela do cinema. Um bom som. E mais nada. Mesmo que no final você mal se lembre do nome do protagonista, mas certamente ficará com algumas cenas pulsando na mente por dias.

Que venham mais baits como 1917, por favor.

 

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