São as obsessões de Dr. Thackery que ditam o rumo em The Knick

O protagonismo ainda é um porto importantíssimo em séries dramáticas

Luide
Luide
5 de novembro de 2015
 

Existem histórias como as de The Wire em que a figura central de um protagonista é totalmente descartável, já que a intenção ali não é contar a jornada de alguém em específico, mas sim do universo em que ela se encontra. Alguns exemplos mais recentes desse tipo de narrativa são Game Of Thrones e Orange Is The New Black, que estão mais interessadas em falar do contexto geral em que todos os personagens se encontram.

Mas o protagonismo sempre foi importante para que se construa uma boa obra. É impossível, por exemplo, imaginar Breaking Bad sem Walter White. Assim, importância a escolha de um bom ator é regra. Encontrar alguém que possa carregar nas costas esse peso, incorporar o personagem, dar vida a suas emoções e entender como ele funciona. Don Draper jamais seria tão charmoso sem Jon Hamm e Tony Soprano tão intenso sem James Gandolfini.

The Knick é uma série que encontrou seu protagonista. Um bom protagonista. Você pode não ir com a cara do Clive Owen, mas sem Dr. Thackery e suas obsessões The Knick dificilmente seria tão boa. Seu personagem segue um modelo padrão criado lá atrás em Sopranos, do homem que enfrenta seus demônios constantemente, que busca uma paz que nem ao menos consegue entender. É assim que Thackery da ritmo aos acontecimentos principais em The Knick, em pequenas ações que vão se transformando em eventos maiores, uma verdadeira reação em cadeia.

Após enfrentar o vício de drogas na primeira temporada e praticamente se definhar no tratamento, ele mesmo resolve buscar a própria cura. O interessante é que suas noites em claro no hospital, sua busca constante por respostas o prejudica quase da mesma maneira que a droga. Dr. Thackery tem dentro de si seu maior inimigo.

Esse tipo de comportamento explosivo, inconsequente e que vai até os limites da moral para conseguir o que quer pode não ser novidade, mas Clive Owen consegue dar vida a um personagem interessante de se acompanhar. Essa paixão pelo que faz a ponto de se tornar um vício define The Knick.

Em seu segundo ano a série dirigida por Steven Soderbergh da um show em diversos aspectos e se firma como um dos principais dramas da atualidade. A direção continua impecável, sua beleza transborda a cada novo episódio. A produção é perfeita e ser transportado para a Nova York do início do século XX é sempre uma viagem gratuita que The Knick oferece.

Assim, The Knick é praticamente obrigatória nos dias de hoje, principalmente por muitas vezes invocar temas que, mesmo parecendo conversa de 100 anos atrás, ainda são presentes em nosso dia-dia. E claro, Clive Owen dando um verdadeiro show. Continuo obcecado por essa série.

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