Quentin Tarantino mentiu pra mim

O cara mais apaixonado por cinema fazendo o que gosta e surpreendendo todo mundo

Luide
Luide
22 de agosto de 2019

O que te faz sair de casa, pegar transporte, pagar (caro) no ingresso pra ir ao cinema? É o amor pela arte? O “hype“? Ou algum remake da Disney? Você provavelmente sabe quem são os protagonistas, um ou outro coadjuvante e também o estúdio. Mas a bem verdade é que a maioria de nós não presta muita atenção em quem escreve e dirige o filme. Você se lembra quem dirigiu Homem Formiga e a Vespa? Godzilla: O Rei dos Monstros? E Toy Story 4?

Normal. Grandes filmes são tão grandes que o mais importante de tudo é seu nome e o marketing investido. É por isso que gosto de cineastas como Martin ScorseseChristopher Nolan, James CameronLilly e Lana WachowskDavid Fincher: são diretores conhecidos pelo grande público e levam pessoas ao cinemas não pelo filme em si ou elenco, mas por eles. O “novo filme do diretor de Avatar” tem um peso maior que “Fulano de tal como Beltrano“. Mas entre todos esses citados, um talvez tenha um apelo e carinho maior. É Quentin Tarantino.

É difícil não se importar com um novo filme de Tarantino. Não apenas por sua carreira estar recheada de “jovens clássicos” e personagens icônicos que já são parte da cultura pop, mas também pela sua criatividade, referências infinitas ao cinema e por seus vícios. Todo mundo sabe o que esperar de um filme de Tarantino e mesmo assim sai surpreso do cinema. Quando assisti a’Os Oito Odiados, voltei pra casa e fiquei dias e mais dias pensando nele. Voltei para o cinema e revi. Quando chegou na Netflix revi duas vezes no mesmo fim de semana. É um dos meus favoritos do diretor e esse encantamento pelos diálogos, por essa violência estilizada, personagens cuidadosamente desenvolvidos… eu sabia que iria ter tudo isso e mesmo assim fui pego de surpresa.

Com Era Uma Vez Em Hollywood… foi ainda mais intenso. Eu realmente não esperava esse filme de Tarantino. De verdade. Ele tem uma doçura estranha que não da pra definir direito. É como se o diretor voltasse no tempo e tentasse a todo custo congelar o tempo de uma época que o encanta. Mas a Los Angeles idealizada pelo diretor, mágica e cheia de sonhos, estava morrendo com a década de 60, um momento do século XX onde tudo mudaria pra sempre. Mas para Quentin Tarantino ela não apenas segue viva, como também livre de um de seus vários traumas (graças ao poder do cinema).

Sem uma história em si, dividida em atos, o filme é quase todo um grande sonho ou uma colagem de vários deles. Tarantino finalmente usa e a abusa de todas as referências e afetações possíveis para construir cenários, brincar de velho oeste, kung-fu, seriados, mocinhos e bandidos. Os passeios de carro pelas ruas que fervilham, a paixão pelo cinema expressado nos olhos de Sharon Tate. É tudo lindo, tudo mágico. Quem reclama de filme longo paciência, por mim, ele poderia ter 5hrs de duração.

E se a única tensão de Era Uma Vez em Hollywood era a eminente morte de Sharon Tate pelas mãos da seita de Mason, Tarantino faz o impensável. Mesmo. Foi uma surpresa tão maluca que o riso tomou conta da minha sessão. As pessoas simplesmente não acreditavam no que viam. E cara, pqp, cinema no fim das contas é isso. É o que você sente no momento, naquele segundo que está diante de uma tela gigante. É por isso que essa arte não irá morrer nunca enquanto existirem pessoas apaixonadas por ela.

E ainda bem que Quentin Tarantino é uma delas. Obrigado por me enganar.

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