Quem quer viver pra sempre?

Todos. Mas são poucos que conseguem.

Luide
Luide
7 de fevereiro de 2019

Naquela noite em 1985, milhares de pessoas estavam diante da história acontecendo. Ofuscadas por uma estrela maior que habitava o palco, eles não tinham noção de que testemunhavam algo que estaria sendo relembrando e revivido décadas depois. Um gênio em um momento icônico. Quantos tiveram a consciência disso? Um pequeno momento na imensidão da existência ficou marcado pra sempre, se tornou imortal, algo que ninguém ali conseguiu. Nem mesmo aquele gênio.

Bom. Será mesmo?

Esse gênio, que caminhou entrou nós, deixou um legado tão gigantesco que ninguém arriscaria dizer que ele não está vivo. É como se fosse uma maldição, como se a imortalidade cobrasse um preço muito alto para quem a alcança. Assim como muitos outros, Freddie Mercury pagou esse por sentença e se foi muito cedo. Mas quem ainda tem o poder de mover milhões de pessoas, de todas as idades, para os cinemas em 2018? Alguém que morreu? Alguém que foi esquecido? Óbvio que não.

Quem está vivo precisa se sentir vivo. A música nos da essa chance. Um momento onde nos desligamos do espaço tempo e somente aqueles minutos importam. Estamos vivos e fim. Bohemian Rhapsody não arrecadou mais de US$ 800 milhões por menos. Ninguém sai desse filme sentindo outra coisa além de estar vivo. Ele pulsa e vibra, assim como Mercury. E as milhares de pessoas que derramaram lágrimas na cadeira do cinema estão cobertas de razão. É pra se emocionar mesmo, pra deixar a música fluir pelos ouvidos e esquecer de tudo. É quase impossível prestar atenção em detalhes técnicos, se o roteiro é isso ou aquilo, se a direção está boa ou ruim. Quando Brian May surge com a ideia We Will Rock You você simplesmente esquece.

TUM. TUM. PÁ.

Bohemian Rhapsody não precisa ser um filmaço para ser um filmaço. O caminho para esse sucesso foi aberto algumas décadas antes, pelo Queen, e por isso ninguém ficou surpreso com a bilheteria e indicação a diversos prêmios. É um filmaço porque tem esse espírito imortal de quem se recusa a morrer, de quem se recusa a ser esquecido. Freddie Mercury queria viver pra sempre? Vai saber, mas ele vai, ah se vai. Até porque ninguém escolhe ser imortal, esse fardo é para poucos.

E se Bohemian Rhapsody não é o melhor retrato dessa banda, dessas músicas e desse cara, fique tranquilo. Daqui há algumas décadas uma multidão de adolescentes ainda estarão batendo com os punhos duas vezes na mesa e batendo uma palma. Ritmado. TUM TUM PÁ. TUM TUM PÁ. E então alguém irá contar a história do Queen, de Freddie Mercury, do Live Aid ou daquela noite no Rock In Rio. E todos aqueles que estiveram diante daqueles gênios seguirão vivos.

Sempre que alguém revisitar ou apresentar essa banda para um filho, para um neto e assim por diante, estará mantendo a memória viva. E quando esse adolescente for para o Youtube (ou seja lá qual rede social irá surgir) e dar play em Love of my Life – Rock In Rio 1985, milhares de pessoas estarão vivas. O gênio estará vivo.

Quem quer viver pra sempre? Todo mundo. Mas nem todos viverão.

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