Que Preacher seja tão boa na tv quanto dizem que é nos quadrinhos

AMC volta apostar em adaptações de quadrinhos adultos. Vamos ver se funciona novamente

Luide
Luide
26 de maio de 2016

Antes de Matthew Weiner chegar com o piloto de Mad Men embaixo dos braços, a AMC era um canal a cabo destinado unicamente a exibir filmes antigos. Na época a HBO parecia intocável com suas produções originais, e obras como The Wire, Sopranos, Six Feet Under, Roma etc reinavam soberanas na televisão. Veio então a série do Don Draper, levou 4 Emmys Awards consecutivos e a AMC surgiu como um canal de qualidade.

Logo em seguida foi a vez Breaking Bad estrear, e logo se tornaria o primeiro sucesso de público do canal, porém muito de sucesso foi graças ao Netflix (quem diria). Blockbuster mesmo a AMC só teve com The Walking Dead, que junto com Game Of Thrones, formam hoje os dois grandes eventos da tv paga. A emissora acertou ao adaptar um quadrinho mais adulto pra televisão, e com a estreia de Preacher, tenta quem sabe, emplacar mais um sucesso.

Séries de quadrinhos já nascem com um público fiel, que muitas vezes cegos pela paixão, dificilmente a abandonam. Estão mais preocupados em encontrar diferenças entre a obra original do que com a qualidade, de todo modo, muitas vezes é quase um tiro certo. Flash e Supergirl são exemplos de como levar esses heróis para um novo público e seguir fidelizando os antigos.

Mas Preacher não tem essa pegada mais teen e isso fica claro no piloto. Cheia de violência e com debates teológicos um tanto cafonas, um novo sucesso pode surgir. E em seus primeiros 60 minutos Preacher deixa claro que tem potencial pra isso. A fórmula está ali (só faltou a nudez que é proibida na AMC).

É um universo que me parece amplo, com a mistura de religiosidade e sobrenatural, tudo centrado em uma pequena cidade do Texas, o que torna as coisas mais interessantes. Comunidades pequenas tendem a ser mais conservadoras, e a religião tem um peso muito forte na vida de seus habitantes.

Pilot (S01E01)

Há sempre um senso de união e preservação dos bons costumes, e o Dominic Cooper na pele de Jesse Custer parece ser a blasfêmia no meio de tantos fiéis. Os personagens são bastante cartunescos, como o garoto chamado Cara de Cu ou Cassidy, que engole uma vaca mesmo estraçalhado no chão. Bateu a curiosidade sobre como todo isso funciona.

Série de tv tem que funcionar como série de tv, não como live action de quadrinhos. Como não sou consumidor de gibis, preciso de alguma coisa além de fan service. E Preacher apesar de apressar em mostrar muita coisa, consegue entreter com boa diversão. Um ponto extra para a cena dentro do carro no milharal e no avião. Porradaria bem dirigida, coisa que só se via em Banshee.

A emissora que deu vida a Mad Men e Breaking Bad sempre terá a minha atenção. Que Preacher seja tão boa na tv quando vocês dizem que é boa nos quadrinhos.

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