Que inferno de filme é esse Joias Brutas

Mais um filme sufocante (e excelente) dos irmãos Safdie.

Luide
Luide
3 de fevereiro de 2020

Já se passavam 5 minutos de Joias Brutas e meu pico de adrenalina estava quase no limite. Uma sensação de sufocamento, de estar vivendo um stress desnecessário… ainda aguardava o momento de respiro quando me dei conta: esse é o novo filme dos irmãos Benny e Josh Safdie, os mesmos de Bom Comportamento, um dos meus favoritos de 2017. Lá o ritmo era o mesmo: frenético e pulsante. Então estava um tanto óbvio que Joias Brutas não me daria momento algum de respiro. Era disso pra pior.

E foi.

O filme te envolve de uma forma tão poderosa que quando acaba, você está viciado naquilo. E meio que acaba em abstinência. A cena final envolvendo o personagem de Adam Sandler acabou comigo. De verdade. Eu não queria me despedir daquele micro universo. Foi intenso e incômodo no começo, mas me acostumei e senti falta quando acabou. Que filmaço.

Foi o mesmo com Bom Comportamento. É como se a ação nunca acabasse, quer dizer, só acaba quando o filme termina (óbvio). Uma renovação constante da tensão, como se nada na vida dos personagens construídos pelos Safdie realmente tivesse solução, paz ou tranquilidade. Em Bom ComportamentoRobert Pattinson cruza uma Nova York marginalizada em busca de dinheiro para libertar o irmão da prisão, já em Joias Brutas é Adam Sandler, um viciado em apostas, que busca de forma frenética pelo bote de ouro no fim do arco íris, quem irá te deixar sem fôlego.

É o dinheiro ditando a forma de agir e viver dessas pessoas.

Em ambos os filmes a cidade é importante, praticamente um elemento vivo na trama. Afinal, essa movimentação sem fim, esse vai e vem dos personagens, é que deixa o espectador com essa sensação de sufocamento, e os Safdie sabem bem utilizar esses espaços. Quando você imaginou que uma porta de vidro defeituosa poderia causar tanto sofrimento? Deus do céu… achei que essa cena jamais teria fim.

Além disso, Adam Sandler sabe bem incorporar o pilantra fracassado, aquele típico aspirante a malandro que nunca leva sorte em absolutamente nada. Nos negócios, no amor, no jogo… é como se o mundo estivesse contra ele.

Aqui nenhum novidade que o ator é sim capaz de executar bons papéis, acontece que assim como Howard Ratner, Sandler também é viciado em dinheiro e se o seu contrato com a Netflix pede por comédias idiota e esquecíveis, que mal tem fazer pela milésima vez o mesmo papel de adulto idiota?

O dinheiro, sempre ele, nos coloca em situações de risco, aflitivas e onde o caráter pouco importa. Cada um sabe do seu próprio corre. Aguentar transporte lotado, assédio do patrão, baixa remuneração ou ficar de um lado pro outro penhorando anéis e pedras vindas da Etiópia. Tanto faz.

Em qualquer lugar onde o dinheiro exista, dificilmente ele não irá impactar na sua forma de agir. No caso de Ratner, ele só é mais um idiota metido a esperto. Alvo favorito daqueles que realmente entendem o jogo.

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