Quatro temporadas depois, Chef’s Table segue como a melhor produção da Netflix

Mais um ano e mais uma vez Chef's Table segue esquecida.

Luide
Luide
27 de abril de 2018

Nenhum outro serviço de streaming ou canal de TV lança mais produções originais que a Netflix. Com um número absurdo que ultrapassa duas estreias diárias, fica difícil filtrar o que é bom por lá. Pra dificultar ainda mais o acesso a diferentes conteúdos, a empresa foca seu marketing em potenciais sucessos, como Altered Carbon e Dark. O problema é que bons produtos passam despercebidos pelo público acostumado a ser guiado pela maioria, tal como gado.

Mas nenhuma outra série passa mais despercebida que Chef’s Table, simplesmente sua melhor produção. Em seu quarto ano, a obra de David Gelb segue como uma experiência única, guiada por arte, tradição e muita comida. É a joia rara da Netflix.

Enquanto em séries dramáticas a Netflix está longe de ter alguma coisa que mereça o título de excelente, em séries documentais ela nada de braçada, sendo Chef’s Table o auge. Tudo isso por se tratar de um produtor de autor. David Gelb ganhou notoriedade com O Sushi dos Sonhos de Jiro, o qual concorreu ao Oscar de Melhor Documentário em 2012. Ali Gelb estabeleceu uma narrativa única e levou essa mistura de música, poesia e cozinha para Chef’s Table.

Em seu quarto ano a série continua brilhante. Dessa vez focada na confeitaria, Chef’s Table nos apresenta 4 novos chefs especialistas em doces e sobremesas. Mais uma vez, somente uma série tão boa consegue transformar tais histórias em uma aula sobre criatividade, perseverança e, porque não, valores. Praticamente todos os personagens que passaram por Chef’s Table ao longo de 4 anos tem heranças poderosas, lições de sua infância e marcas de sua terra.

Jordi Roca

O destaque dessa temporada é o episódio com Jordi Roca, o pâtissier mais genial do mundo, do três estrelas Michelin El Celler de Can Roca. O restaurante por algumas vezes figurou no topo da lista de Melhores do Mundo e é comandado por três irmãos. Jordi é o mais jovem e precisou se provar na cozinha e sua história é encantadora. O que move Chef’s Table é a forma como a série alça seus protagonistas a figuras excêntricas e dotadas de um dom único, quase inatingível por nós.

Esse distanciamento pode parecer ruim, como se estivéssemos em níveis menores, mas não se engane. Chef’s Table enaltece a inspiração, a disposição de cada um em ser diferente. Fazer diferente. É por isso que não podemos reduzi-la em “série de cozinha”. É sobre tudo. Além disso, Chef’s Table nunca abre mão de investigar as origens desses pratos caríssimos e luxosos. E a resposta que temos é o mesmo fundamento do arroz e feijão que você come todos os dias.

Costumo dizer que a Netlix está longe de produzir uma obra prima, mas talvez ela já nasceu e seja Chef’s Table.

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