Quando parte pra ação, Narcos encontra o seu melhor

Deixando o drama de lado e partindo para o combate

Luide
Luide
7 de setembro de 2016

Séries precisam ser honestas com seu público. Veja o caso de Banshee. Como drama é bem medíocre, beirando o novelesco. Porém deixa claro o tempo todo que suas intenções são outras, e quando resolve mostrar sua violência e ação, Banshee é ótima e te faz esquecer alguns problemas. Problemas esses que se tornam irrelevantes perante o que ela entrega. Em partes, Narcos segue esse princípio.

Não acredito que seja a intenção da série desenvolver um drama e se aprofundar em seus personagens. Tudo é muito pontuado, para favorecer a narrativa que beira o documental. Acontece isso, isso e aquilo. Fim. Sendo assim, Narcos precisava entregar outras qualidades que fossem boas suficiente para suprir a falta de peso dramático. E também encontra na ação essa saída.

José Padilha dirigiu os primeiros episódios e é produtor executivo. Sua marca foi cravada na série, e as cenas de perseguição ou enfrentamento são o ponto alto. E ampliando o leque de ameaças (Cartel de Cali, Los Pepes) uma verdadeira zona de guerra com vários players se instalou nesse segundo ano. Apesar de seguir uma linha parecida em quase todos episódios (suspeita do paredeiro de Pablo para logo em seguida tudo vir por água abaixo), Narcos não deixa de surpreender com suas sequências tensas envolvendo polícia, milícia e sicários.

Isso é importante para mostrar ao espectador que Narcos não depende de Pablo Escobar para sobreviver. Ao contrário do que se pensou, a série tem potencial de sobra pra seguir em frente. Livrando-se de sua grande estrela, o alívio e liberdade que isso gera pode trazer novas possibilidades. Ao contrário do tráfico, Narcos não pode ter um chefão. Don Pablo se vai, ficar uma boa série de ação.

É importante também a série mostrar que na guerra não existe o mocinho. O heroísmo não cabe aqui, e a caçada a Pablo não foi bem um clássico bem contra o mal. Quando o exagero partia do inimigo era apenas o esperado, mas quando a série mostra que o jogo sujo vem de ambos os lados acerta bem. Carrillo, Los Pepes e claro, o estado que fecha os olhos para isso. Tudo é importante.

Narcos mantém o jogo de gato e rato nesse início de segundo ano, diminui a narração em off e o lado mais documental, e foca em acontecimentos menores que não seriam dignos de páginas de livros de história. É ação boa que entrega o que há de melhor na série.

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