Quando o cinema é a última coisa que importa, surge um The Cloverfield Paradox

Em uma bela jogada de marketing, a Netflix lança uma porcaria de filme.

Luide
Luide
7 de Fevereiro de 2018

Enquanto todos os estúdios e alguns canais liberavam trailers durante o Super Bowl, a Netflix chegou chutando a mesa. Primeiro soltou um teaser de The Cloverfield Paradox, terceiro filme da franquia, para logo em seguida anunciar que o filme seria disponibilizado no serviço de streaming assim que o jogo acabasse. A internet veio abaixo (como sempre). Uma excelente e ousada jogada de marketing que combina em muito com a proposta da saga, que sempre foi imersa nesse jogo de expectativa. Além disso, quem lança um filme assim de uma hora pra outra?

Como peça de propaganda The Cloverfield Paradox acertou em cheio. A Netflix conseguiu gerar muito barulho e publicidade gratuita. Acontece que como filme, tudo não passa de um desperdício de tempo. Um erro do início ao fim que não faz frente ao que a franquia vinha construído.

Quando lançado em 2008, Cloverfield foi envolto em mistério e teorias. Um filme de monstro que poderia ser como qualquer outro, mas que acabou como um ótimo experimento do “gênero”. Oito anos depois veio Rua Cloverfield, 10, uma espécie de sequência que na verdade se mostrou uma tentativa de antologia. Legal. Ótima ideia. Até a estreia de Paradox, que tenta criar uma justificativa tanto para o monstro do primeiro filme, quanto para a invasão alienígena do segundo. Um erro justificado pela atual corrida de Hollywood em conseguir a próxima franquia de sucesso (obrigado por esse legado, Marvel).

Com uma proposta pra lá de clichê, Paradox infla seu filme de personagens clichês com a única intenção de matar um por um. Como se não bastasse uma trama que tenta de forma porca invocar o espírito do primeiro Alien, ainda cria uma sub-trama na Terra, envolvendo o salvamento de uma adolescente em meio ao ataque do monstro e que, pasme, é resolvida por mensagem de texto. É algo tão preguiçoso e ridículo que soa até como deboche: “hahaha, sério que você ainda está acordado depois do Super Bowl?“.

Mas é lá no espaço onde tudo desanda do ruim pro péssimo. O tempo todo cientistas tentam explicar para outros cientistas termos científicos que somente cientistas iriam entender. E se Paradox quer pegar carona na onda de franquias, é claro que não faltaria uma “referência” no fim, com o mostro do primeiro filme dando as caras. Mas quem se importa? O filme é tão esquecível que a única coisa que você se lembra é do tempo perdido. Mas repetindo: quem se importa? Paradox foi um sucesso de marketing.

Originalmente o filme seria lançado em abril nos cinemas como A Partícula de Deus. Acontece que já prevendo o fracasso de crítica e bilheteria, J.J. AbramsJim Gianopulos, presidente da Paramount, alinharam com Ted Sarandos (chefe de conteúdo da Netflix) e Scott Stuber (chefe de filmes originais) para o lançamento acontecer  após o Super Bowl e aproveitando da mega audiência do evento para anúncio da estreia. A Netflix gastou US$ 50 milhões de dólares e ganhou em publicidade. E muita publicidade.

No fim das contas, enquanto a gente perde tempo falando sobre esse filme, a Netflix lucra com todo esse barulho. Afinal, por mais que Paradox seja um erro inacreditável, o contexto geral merece palmas.

Mas quem ainda se importa com cinema, né? Pff.

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