Pra mim não tinha nada de óbvio na “Daenerys louca”

Eu não me conformo.

Luide
Luide
13 de maio de 2019

É impossível não se sensibilizar com a história de Daenerys Targaryen em Game Of Thrones. Somos apresentados a uma jovem que logo de início é vendida pelo irmão para um selvagem. Jogada em um mundo violento, ela acaba trazendo pra si uma responsabilidade um tanto megalomaníaca, mas que após sucessivas vitórias se mostrava uma jornada possível. Libertar escravos. Quebrar correntes. E queimar aqueles que oprimem os mais fracos. Sangue e fogo? Sim, não faltaram, porém, no mundo de Game Of Thrones suas escolhas nunca se diferenciaram moralmente da maioria dos personagens. No final do dia restavam apenas os resultados de suas motivações.

The Bells (s08e05) é um desses episódios que faz o espectador voltar até o início da série e questionar se de fato a jornada de Daenerys era tão óbvia quanto dizem que é: se transformar em uma vilã, alguém com ódio, “louca” que queima mulheres e crianças porque sim. A mim não convence. É como se de repente todos os personagens fossem um poço de sanidade, bondade e boas escolhas, e não seres tentando sobreviver em um ambiente hostil onde a todo momento coisas terríveis podem acontecer.

Até seu desembarque em Pedra do Dragão, Daenerys fez exatamente o que disse que faria: quebrar correntes. E quem aqui perdoa escravagistas e tiranos? Bom, ela não. Essa sempre foi a Mãe dos Dragões.

Mas existe um abismo entre ser cruel com seus inimigos e inocentes. Um abismo entre crucificar os mestres de escravos e obliterar uma cidade. Ninguém aqui duvida que Daenerys seria capaz de servir cada membro de Cersei para Drogon, afinal, ao longo da série ela nunca mostrou piedade. O ponto aqui é justamente se essa personagem seria capaz de fazer o que fez. “Enlouquecer” porque “o pai era louco” me parece uma saída bastante confortável pra uma série que nunca jogou com o óbvio.

Acontece que encerrar um épico como Game Of Thrones requer escolhas difíceis. David Benioff e D.B. Weiss escolheram Daenerys como a grande antagonista. O Rei da Noite e Cersei ficaram em segundo plano e agora o mal maior é alguém que um dia nasceu para ser o completo oposto. Quem se vangloria nas redes sociais de desde sempre ter “sacado” que Daenerys era um monstro está feliz com essa série de decisões estúpidas que começaram ainda na sétima temporada. Agora é praticamente inevitável que a personagem termine como uma sombra do mal.

Por um lado esse espectador um tanto frustrado com os rumos da série há duas temporadas precisa admitir: foi pego de surpresa. Em nenhum cenário imaginei uma morte tão patética quanto essa para Cersei, meu personagem favorito em toda a obra. Em nenhum cenário imaginei que Daenerys faria o que fez, mesmo com todos os sinais óbvios que os fãs insistem em apontar. Nunca. Se tudo foi por água abaixo, pelo menos de boca aberta eu fiquei. Gostar ou não é apenas um detalhe divertido já que Game Of Thrones inevitavelmente acaba na semana que vem.

Ainda bem. Mais um episódio e chegamos ao fim de uma jornada de oito anos. E depois a história que faça justiça para Daenerys.

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