Por que precisamos de um filme de Breaking Bad?

E antes que você diga qualquer coisa: o próprio Vince Gilligan concordaria comigo lá em 2013.

Luide
Luide
14 de novembro de 2018

Breaking Bad é a jornada de um sujeito em direção ao abismo. É uma história sobre como a frustração pode se aflorar a ponto de transformar bons homens em monstros. É a história de Walter Walter, um simples professor desvalorizado, que diante de um problema encontrou os motivos mais tortos para partir em um busca de uma idolatria a si mesmo. É uma série com começo, meio e fim muito bem estabelecidos. Mas quem ainda acha que a palavra “fim” possuiu algum sentido ultimamente, precisa rever seus conceitos.

Fim. Acabou. Não é fácil digerir esse momento que chega a todos. O fim de um relacionamento, de um trabalho ou aquele fim inevitável a todos nós: a morte. Você sempre irá achar que dava pra esticar mais um pouquinho, ou no mínimo, reviver aquilo que já deveria estar enterrado. Deveríamos aceitar melhor que as coisas acabam e digerir o vazio que fica. Breaking Bad foi uma obra completa, irretocável, que merecia o devido descanso após mover multidões e criar milhares de aficionados por dramas.

Mas isso não estava nos planos de Vince Gilligan. Um ano após o fim de Breaking Bad veio o anuncio do primeiro spin-off, Better Call Saul, que bom, os leitores que acompanham esse site sabem muito bem da minha opinião sobre a série: dava pra ser melhor, mesmo que ainda tenha momentos espetaculares. Agora, o que ninguém realmente esperava era uma continuidade de Breaking Bad, um filme derivado que seguirá os passos de Jesse Pinkman após ele ser libertado por Walter.

Jesse arrebenta os portões e foge: é ali é o final de sua história. O homem que foi estraçalhado ao longo das cinco temporadas ganhando liberdade novamente. A expressão em seu rosto, uma mistura de desespero e felicidade, deixaria pra sempre uma sensação incômoda no espectador. O que seria de Jesse Pinkman dali pra frente? Bom, não cabe a nós decidir, só resta imaginar.

Só que essa contemplação, esse exercício imaginativo que acompanha a cultura pop, está morrendo. Você precisa saber como tal personagem chegou até aquele ponto onde foi apresentado e o que acontece com ele após o fim da obra. Vazios não são mais necessários. Filmes de origem como Han Solo estão cada vez mais frequentes, assim como continuações que ninguém pediu.

E sabe quem concorda comigo? O próprio Vince Gilligan.

Em uma entrevista ao The Wrap lá em 2013, pouco depois do final de Breaking Bad, Vince Gilligan comentou sobre o que teria acontecido com Jesse Pinkaman: “Cabe ao espetador decidir o que acontece a Jesse“. Ou seja: acabou meu amigo, agora é com você. Ele ainda completou com sua própria versão: “meu sentimento pessoal é que ele escapou. Mas o mais provável, por mais negativo que soe, é que vão encontrar as impressões digitais dele por todo o laboratório, e vão encontrá-lo num dia ou numa semana ou num mês“.

Gilligan mudou de ideia. Viu que deixar o “espectador decidir” é bobagem e resolveu contar uma história que ninguém pediu. Como dizia o próprio Walter White: “I’m in the empire business“.

E se eu vou assistir? É claro.

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