Por que Chuck de Better Call Saul tem hipersensibilidade eletromagnética?

Dentro da narrativa da série é possível descobrir os motivos da "doença"

Luide
Luide
18 de abril de 2016

Ainda não vivemos no mundo de Black Mirror onde implantes no cérebro nos permite gravar tudo a nossa volta, mas é fato que a tecnologia já é parte do nosso cotidiano, em alguns caso, pode-se dizer que é essencial. É claro que você pode optar por viver isolado em um sítio, longe de energia elétrica e wi-fi, mas convenhamos que é impossível isso acontecer na vida urbana.

São tantos aparelhos eletrônicos ligados e transmitindo dados que uma “doença” (não reconhecida pela Organização Mundial da Saúde) vem se tornando comum. É hipersensitividade eletromagnética. Quem sofre alega que celulares, televisão, microondas e qualquer tipo de aparelho eletrônico, transmitem raios eletromagnéticos que afetam diretamente a saúde graças a uma hipersensibilidade.

Já a ciência diz que é uma doença psicossomática, como explica esse artigo da Superinteressante. É a mente agindo sobre o corpo. No universo das séries a hipersensibilidade eletromagnética ganhou notoriedade depois que Chuck, o irmão mais velho de Jimmy, foi apresentado em Better Call Saul. Em nenhum um momento a questão do surgimento da doença foi explorado dentro da série, mas será que conseguimos entender sua necessidade?

O episódio Pimento da primeira temporada revelou que era Chuck quem sempre armou contra Jimmy. Desde o primeiro emprego até aquele momento triunfal do irmão, quando Jimmy descobre um golpe aplicado em aposentados e que renderia fama e dinheiro a Hamlin, Hamlin & McGill.

Chuck como um Imperador do Mal. Quando se trata de Gilligan, nada é gratuito

Ali estava claro que Chuck era o grande vilão da série, é então que sua doença passa a fazer sentido. Vince Gilligan sempre teve um apreço muito grande pelo visual. Breaking Bad foi uma série bastante estilizada, seja pelo uso das cores (que vai desde a fotografia as roupas dos personagens), seja pelo posicionamento da câmera e seus ângulos (saudades GoPro).

Em Better Call Saul, Gilligan brinca novamente com a estética pra entregar aquilo que não precisa ser óbvio. Chuck ter hipersensibilidade eletromagnética serve apenas para coroar a posição e vilão que a série quer passar. Quando ele está em cena, tudo fica com um ar mais sombrio graças a falta de luz elétrica. A falta de iluminação cria um ambiente hostil, é como se colocássemos os pés uma caverna com um monstro lá dentro.

Mais do que isso, a medida em que todos ao redor precisam se livrar de aparelhos eletrônicos ou preparar todo um ambiente para sua chegada (como nos casos em que ele precisa ir pessoalmente na empresa), da a Chuck um poder quase que de um imperador excêntrico.

Assim, a doença de Chuck é mais importante pra narrativa do que se imagina. É ela que ajuda criar em nossa mente essa noção de antagonismo, quando na verdade, Chuck não é o grande vilão, afinal Jimmy não é um santo, muito menos um herói.

É uma jogada extremamente inteligente, vindo claro, de uma das cabeças por trás de Breaking Bad.

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