Poder é poder

Cersei sempre teve razão.

Luide
Luide
6 de maio de 2019

A construção de um bom vilão é tão complexa ou até mais do que a de um herói. O bem se prevalece por si só, cheio de virtudes e boas razões. Mas e quando se trata do mal? Game Of Thrones conseguiu entregar dois excelentes vilões que partem de duas linhas narrativas diferentes. O Rei da Noite era o mal absoluto, aquele sem razões para ser o que é. Porém, mais ao Sul de Westeros, um outro vilão foi sendo construído desde o início da série e finalmente chegou sua vez de mostrar porque ela sim é quem realmente merece ser temida.

Poder é poder” disse Cersei para Mindinho no episódio The North Remembers da segunda temporada. A Lannister sempre teve clareza em suas ideias e ambições. Para se conseguir o que quer é preciso poder. Poder a todo custo, custe o que custar. Cersei nunca desviou do seu caminho e não por menos se tornou a personagem mais temida em uma história repleta de personagens a serem temidos. Ela sempre jogou o verdadeiro jogo: o do poder. Sem romantismo e muito menos perdendo tempo confiando em outras pessoas além de si mesmo.

E quando Daenerys percebeu que estava diante de alguém que finalmente não a teme só lhe restou o ódio e a loucura. Aliás, é um tanto triste que seja esse o seu destino: por mais que a série sempre tenha mostrado um lado megalomaníaco de Daenerys, ver a personagem se esvaziar em menos de duas temporadas é um tanto desolador. Essa ideia de “destino”, que a filha deve seguir os passos do “pai louco” ainda é um tanto difícil de aceitar. Mesmo que Emilia Clarke não seja lá um poço de profundidade em matéria de atuação, a jornada de Daenerys até aqui foi uma das melhores em Game Of Thrones.

Mas desde que Dany chegou a Dragon Stone e aceitou receber Jon Snow ficou claro qual seria o seu destino: aos poucos perder todo o poder que conquistou ao longo de seis temporadas e lutar em guerras que não eram sua. E como Cersei ensinou muito bem: poder é poder e sem ele Daenerys não é ninguém. Pouco importa seu sangue, seu direito ao trono ou quanto ela é amada. Com seu exército enfraquecido e dois dragões a menos, não lhe resta muita coisa. Esse reencontro com a vilã perfeita não poderia ter sido mais frustrante.

Cersei tem o controle da situação. Tem seu exército, tem líderes que admiram essa força e principalmente: não tem mais nada a perder (isso se sua gravidez se provar um blefe). Não existe inimigo pior. Nem mesmo a Morte consegue rivalizar com alguém que não a teme. Faltando dois episódios para seu fim, Game Of  Thrones mais do que nunca parece um amontoado de péssimas escolhas, valores deixados de lado e uma narrativa truncada, como se o roteiro estivesse diante de um problema e a forma mais fácil de resolver fosse “só faz que vão esquecer”.

É claro que será impossível agradar uma audiência que de forma inacreditável só cresce episódio após episódio. E é claro que muitos estão realizados com o que vem acontecendo. Mas essa é a magia de Game Of Thrones: somente um produto cultural tão poderoso consegue mover multidões e gerar calorosos debates toda vez que os créditos sobem. Em duas semana isso irá acabar. E já é hora de pensar no legado disso tudo.

Não é qualquer série que conseguiu isso. Game Of Thrones conseguiu. Poder é poder.

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