A pior temporada de Game Of Thrones

E vocês não tem ideia do quanto dói dizer isso.

Luide
Luide
28 de agosto de 2017

Um brinde à melhor temporada de Game Of Thrones” foi o que escrevi em 2016 para falar sobre a sexta temporada de Game Of Thrones. No texto elogio a forma de como a série conseguiu se distanciar dos livros, mas sem perder sua elegância. Não faltaram momentos que ficarão pra sempre na mente dos fãs, desde Hodor até a explosão do septo de Baelor. Ninguém poderia prever que um ano depois, Game Of Thrones faria sua pior temporada, não em termos técnicos, mas em forma e conteúdo.

Antes de tudo, é preciso aceitar que sim, essa temporada seria a mais complexa de todas: o choque de vários núcleos que até então estavam completamente separados, o afunilamento da história e a necessidade de amarrar dezenas de tramas que foram construídas desde o primeiro ano. George R.R. Martin criou uma obra extensa demais e sua adaptação pra tv foi um ato de coragem. Se for analisarmos  friamente, 10 temporadas seriam insuficientes para dar conta de tantos personagens e lugares.

A decisão de seguir em Banho-Maria ou pisar no acelerador precisava ser tomada, e assim aconteceu. O sétimo ano é o mais dinâmico até aqui, com episódios completamente livres para executar aquilo que deveria ser executado. Ou você acha que o Tyrion iria de Pedra do Dragão até Porto Real, e retornar em apenas 60 minutos em temporadas passadas? Nesse ponto Game Of Thrones precisou encher o peito de coragem e fazer. Mas é aí que mora o grande problema: o caminho até a queda da Muralha soou forçado, coisa que a série quase nunca fez. O que talvez, TALVEZ, ficaria melhor resolvido caso os dez episódios habituais fossem filmados. Mas isso nunca saberemos.

Sete episódios possibilitaram, como já dito, que cada um funcionasse de forna individual. Isso, claro, cria uma agilidade nunca antes vista, mas também conveniências exageradas. Se o Rei da Noite precisava de um dragão, qual seria a forma mais fácil de dar isso a ele? Vamos fingir que o Tyrion realmente pudesse convencer sua irmã, fingir que a Daenerys que está há seis temporadas se coçando pra sentar no Trono de Ferro desse ouvidos a um desconhecido do Norte, e por fim, imaginar que todo o plano em si fosse lógico. Mas quando você isola esses acontecimentos e sem a necessidade de fazer tudo funcionar perfeitamente, as coisas parecem mais simples. Você aceita porque pra preencher essa lacuna Game Of Thrones levou a um outro nível a palavra entretenimento.

Quando a duração dos episódios foi revelada, estava claro que o sétimo ano seria “O ano da Diversão“. E foi mesmo. Já no segundo episódio tivemos o ataque da frota de Euron, no quarto a batalha contra dos Lannisters, no sexto o Rei da Noite matando Viserion e por fim, a queda da Muralha. Tudo isso em meio a pequenos momentos prazerosos como Arya abrindo essa temporada com uma matança e Mindinho dando adeus. Sem contar confrontos tão esperados como Daenerys e Jon Snow, e os dois com Cersei. Enfim, não faltou doce na boca da criançada. Quando se olha de longe, parece que tudo foi muito bem conduzido. Mas não foi.

Muito criticado nessa temporada, a forma como personagens iam de lugares pra outros de forma instantânea não é um erro tão grave. Incomoda, mas não é o principal. Isso é resultado da escolha que falei lá em cima, acelerar a trama e eliminar tudo aquilo que não é mais necessário para o andamento dos dois plots principais. Se o episódio cinco precisa de Jon Snow em Pedra do Dragão ele deverá estar. Se o sexto precisa dele Além da Muralha, lá ele estará. E assim por diante. Precisava apenas de um melhor trato nessas viagens, um pouco mais de cuidado (“ah você queria que colocasse ‘2 meses depois’ na tela”: não seja esse tipo de idiota).

Nos resta aguardar os últimos seis episódios que dificilmente serão diferentes do que vimos nesse sétimo ano. Se tivemos a temporada mais acelerada de todas, a próxima pode voar mais rápida que um corvo. Mas pelo menos vai ter mais dragão do que nunca.

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