Parem de histeria

Ou continua sendo. A internet está ai pra isso.

Luide
Luide
19 de março de 2019

Ter assunto o tempo todo é algo trabalhoso. Primeiro que estamos ocupados realizando tarefas das quais não podemos nos livrar (trabalho, transporte, casa, contas…), segundo que nem mesmo a vida do maior “carpe diem” é tão interessante assim a ponto dele ter sempre algo na ponta da língua pra compartilhar. Ai você adiciona nessa conta o quanto estamos nos tornando solitários e cada vez mais aumentando as relações virtuais e diminuindo as pessoais (nem acho que isso seja um problemão, se não fosse a internet você estaria sozinho de fato). É disso que surge essa histeria coletiva das redes sociais.

Nós precisamos fingir que nos importamos com alguma coisa para que esse tempo que passamos no twitter, facebook etc seja compensado de alguma forma. “Desculpa, não posso falar agora, estou refutando um adolescente com avatar do Trump“. Entramos nesse ciclo histérico, de nos guiarmos por tendências de temas. Se todo mundo está falando é porque deve ser importante, mesmo que ninguém ao seu redor esteja sendo de fato impactado por isso.

Obviamente não podemos nos dar ao luxo de raciocinar sobre o tema na mesa. Precisamos antes de todo mundo emitir uma opinião. Quantas e quantas vezes tive que voltar para a timeline e apagar alguns tweets que fiz no calor do momento. Eu aprendo com meus erros? Claro que não. Até parece que sou maduro suficiente pra isso. Sigo cometendo esses deslizes incessantemente, dia após dia. Mas é como se fosse isso que ainda injetasse uma dose de sentido nas redes sociais. Passar tanto tempo assim fazendo “presença online” tem um custo.

Sou pai e apesar de falar pouco sobre o tema (não tenho talento pra ser pai profissional), sempre tratei aqui no site e no meu podcast a questão do entretenimento para crianças. Então foi natural que muita gente viesse me bombardear com a notícia que uma tal de Momo estava incentivando crianças a se suicidarem em meio a vídeos do Youtube Kids, uma plataforma do Youtube destinada ao público infantil que não tem anúncios e é bem restritiva. Quando fui ler a respeito, “Momo” já era Trending Topics e o caos já estava feito. Mas algo estava estranho: a fonte era sempre “alguém me disse”.

Ai fui aquele Deus nos acuda. Imagino a quantidade de pais que tiraram os desenhos dos filhos nessas 24 horas. Óbvio que se tratava de mais um hoax, porque é muito mais simples ficar histérico com uma notícia falsa e culpar algo inexistente do que ter uma boa relação com os filhos. Conversar, fazer parte da rotina deles, saber o que eles assistem. É mais fácil criar inimigos imaginários que ir a fundo no problema. Mas todo esse hoax não diz respeito apenas aos pais, mas sim a todos nós. Será que vale a pena se descabelar toda vez que o presidente diz isso ou aquilo? Se algum artista da alguma declaração tonta? A polêmica pop da vez é tão relevante?

Óbvio que não. Mas já tiraram tanto de nós, ficar órfão de polêmica vazia é a última coisa que o brasileiro precisa. Precisamos fingir que estamos preocupados.

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