Pare de culpar as crianças pelo seu mau gosto

Tudo bem um filme ser ruim, mas não diga por ai que é por ele ser "infantil"

Luide
Luide
26 de fevereiro de 2020

Hoje em dia até Galinha Pintadinha se esforça pra ser educativa e algo além de um “desenho infantil”, mas você, adulto, acha que filmes podem usar a desculpa de “é pra criança” para justificar seu péssimo roteiro, direção, história, narrativa e etc.

Outro dia a mamãe da Alice me mandou uma foto dela assistindo Meu Amigo Totoro, clássico do Studio Ghibli e uma de minhas animações favoritas. Fiquei emocionado, de verdade. Eis que um fim de semana desses, ela pediu novamente pra assistir. E enquanto ela se encantava com aquele universo mágico imaginado por Hayao Miyazaki, me perguntei quem foi o IDIOTA saiu com essa de que entretenimento pra criança precisa ser IDIOTA.

Não precisa, não ter que ser. Não é regra. Pouca idade não é desculpa deixar seus filhos consumirem qualquer tipo de porcaria que é lançada. Pelo contrário: é justamente uma fase incrível para que eles conheçam um universo mágico, vivo e sofisticado, cheio de imaginação, cores, fantasias e ideias. Esse tipo de entretenimento frouxo sempre me incomodou, mas de um tempo pra cá, passou a ser validado por adultos que se recusam a crescer já que, veja bem, “as crianças se divertiram”.

Mas veja, quando essa desculpa aparece, nunca é de fato dita por uma criança, mas sim por um adulto que se recusa a ver outro tipo de conteúdo que não seja algo que remeta a infância dele. Esse apego eterno os bonecos que ele gostava, aos gibis que ele lia e seus heróis, não permite que ele descubra coisa nova. É sempre o marmanjo que pagou ingresso pra ver Sonic e não admite um olhar crítico sobre o filme, pois ele é “pra criança”.

As respostas a essa crítica do site B9 provam exatamente o meu ponto:

Todo mundo ama os filmes da Pixar por uma razão: é um olhar simples e ao mesmo tempo sofisticado para temas comuns, que fisga adultos e crianças de diferentes formas. Emociona os mais velhos, conquista os mais novos. E tudo isso sem perder a qualidade. Divertidamente foi o primeiro filme do estúdio que minha filha assistiu. Ela vibrava com as cores, ficou tensa na cena do Bing Bong (e quem não fica?) e narrava algumas cenas: “olha papai, a menina tá triste“. Ela ainda é muito nova pra perceber a mensagem incrível desse filme, mas mesmo assim, ela adorou. Assim como foi com Meu Amigo Totoro.

Não seria justo eu medir o entretenimento dela com essa régua do “é pra criança? Tudo bem ser idiota“. Aliás, é interessante como as principais produtoras de conteúdo infantil já não caem mais nesse papo furado. Por incrível que pareça, animações como Mundo Bita, Bob Zoom e até Galinha Pintadinha já se preocupam com as mensagens de suas histórias. Já falam sobre inclusão, preconceitos, amizade, cuidados com o próprio corpo, responsabilidades… e tudo isso com músicas, cores e danças.

Está na hora de você inventar outra desculpa pra continuar consumindo bobagem, chega de colocar na conta das crianças o seu mau gosto pra tudo.

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