Obrigado pela melhor série de 2018, Atlanta. E volte logo

Donald Glover entrega mais 11 episódios memoráveis de sua série.

Luide
Luide
30 de maio de 2018

Enquanto Donald Glover ganhava todos os holofotes graças ao clipe This Is America, uma outra produção do artista seguia em seu próprio ritmo, quieta no canto dela, mas se consolidando como a melhor série de 2018. É Atlanta, que encerrou sua segunda temporada deixando aquela sensação de vazio, já que dado o retrospecto, não devemos ver uma terceira tão cedo. Mas o que vale são os 11 excelentes episódios entregues, mostrando a versatilidade de Donald Glover não só como músico, mas também como ator, escritor e diretor.

A série amadureceu, se tornou mais dramática mas não deixa de ter seus momentos cômicos bastante acertados. Humor, aliás, um tanto particular, sempre carregado de uma carga histórica, satirizando e cutucando a questão racial nos EUA, portanto, passa longe de agradar uma parcela do público afim de “dar umas risadas” com mais uma comédia. Atlanta é o meio termo perfeito do que se entende como “dramédia” e Glover faz bom uso de seus 30 minutos semanais.

Em seu segundo ano, o experimentalismo também se fez presente. Atlanta não parece preocupada em seguir algumas regras. A história central focada no time de fracassados que acompanham a carreira de Paper Boi tem um ótimo desenvolvimento, mas não segue uma ordem clara de acontecimentos. Ela vai e vem, sendo misturada em episódios onde o rapper tenta a todo custo cortar o cabelo ou Darius em busca de um piano. Ou então um flashback do pequeno Earl mostrando as consequências de se usar uma camisa FUBU falsificada.

Essa versatilidade é parte da alma de Atlanta e foi usada de forma inteligente nesse segundo ano. Glover tem um foco bastante claro quanto a sua obra, basta rever This Is America que você entende qual é, e aqui ele espalha pelos episódios de sua série várias pistas de onde quer chegar ou simplesmente expor. Aquele episódio onde Earl não consegue comprar absolutamente nada com uma nota de 100 dólares é um exemplo. Mas apesar de manter uma regularidade do início ao fim, é Teddy Perkins (S02E06) que se destaca nessa temporada.

Se com essa imensa alegoria à vida de Michael Jackson e outros astros da música negra Donald Glover não garantir um Emmy Awards em todas as categorias que a série for indicada, pode trocar a premiação pelo Troféu Imprensa. Atlanta é isso: provocadora, inteligente, criativa e atual. Muito atual. Seus dois últimos episódios tem uma ligação muito forte, explorando ainda mais a relação de Earl e Paper Boi e criando uma ligação fortíssima entre eles com apenas alguns diálogos. Mas o que se vê ali é Glover descrevendo como o negro americano precisa se comportar, desde a forma como ele se veste até como é ativo nos negócios.

Mais uma temporada perfeita de uma série perfeita. Agora dar tempo ao Donald Glover e que venha a próxima.

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