O que você entendeu do final de Mad Men?

Quem venceu em Person To Person?

Luide
Luide
7 de junho de 2016

Na noite de 10 de junho de 2007 as linhas da HBO ficaram congestionadas. Os EUA se reuniu naquela noite para assistir ao último episódio de Sopranos e não ninguém esperava pelo que David Chase iria aprontar. Milhares de assinantes ligando para saber se o sinal havia caído… bom, só quem assistiu a maior série de todos os tempos entende esse sentimento. Nove anos depois ainda é um dos finais em série que mais despertam debate acalorado entre os fãs. É claro que uma obra de arte não iria terminar de maneira óbvia.

Cerca de um mês depois, mais precisamente no dia 19 de julho, iria ao ar Mad Men, série que seguindo a escola Sopranos, iria entregar mais um final desses que duram décadas. Afinal, o que aconteceu com Don Draper em Person To Person?

Existem dois finais ali. O primeiro é que Don, após passar alguns dias em um retiro espiritual, absorveu toda essa experiência e transformou em um lindo comercial para a Coca-Cola, conta que ele sempre sonhou em trabalhar. O outro é como no fim das contas nada do que ele viveu ali importou, a publicidade venceu e Don Draper é uma alegoria a essa máquina de transformar emoções em produtos entalados.

O primeiro final é o mais belo e ao mesmo tempo cínico. Don Draper viveu algo transcendental em sua viagem e seu contato com a cultura hippie da década de 60 serviu para trazer um certo alívio a sua alma. Don sempre fugiu, sempre buscou algo que nem ele mesmo sabia o que era. Então quando ele havia deixado de lado a publicidade, deixado de lado sua maior escravidão que é o trabalho, se viu livre pela primeira vez, reencontrou seu verdadeiro eu para anos mais tarde transportar tudo isso no comercial Hilltop para Coca-Cola.

Don Draper recupera seu brilhantismo e agora está pronto para seguir em frente em sua carreira. Mas não é assim que enxergo esse final de Mad Men.

Esse comercial da Coca-Cola é perfeito para entender a ideia de como a publicidade venceu em Mad Men. Don Draper não se transformou em uma pessoa melhor, ele continua o mesmo. Ao invés disso usou cada momento, cada pequeno detalhe, cada sentimento, para embalar tudo em um comercial de tv. O mundo realmente seria um lugar melhor, com as pessoas de mãos dadas cantando juntas, sem preconceitos. Mas obvio, tudo isso com uma deliciosa Coca-Cola.

A publicidade é exatamente isso. Ela transforma momentos especiais em frasco de perfume, amizade em uma cerveja gelada, pega o amor da sua mãe e risca um dia no calendário. A ideia de que um café da manhã perfeito só existe com determinada margarina, ou o almoço em família só pode existir com tal refrigerante, é o que Don Draper sempre fez.

Don Draper associou felicidade e liberdade com cigarro, falou sobre nostalgia para a Kodak. É tudo feito e pensado para plantar a ideia de que nada de bom pode ser grátis. Person To Person é a denúncia que sua felicidade há muito tempo foi embalada e está sendo vendida em prateleiras. Não adianta você sorrir se esse sorriso não foi comprado.

Mas eu fico com a mensagem final de Bert Cooper em Waterloo, o melhor episódio de Mad Menthe best things life are free.

A lua pertence a todos.

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