Séries como Stranger Things deveriam ser regra dentro do Netflix

8 episódios. Rapidez. Fluidez. E impecável

Luide
Luide
18 de julho de 2016

Game Of Thrones garante anualmente para a HBO dois meses de publicidade grátis. Como já expliquei aqui, por mais que você pague para ver a série, não é obrigado a falar sobre ela em todas as suas redes sociais. Mas como ela é espetacular, é natural Game Of Thrones se tornar o principal assunto do seu twitter, facebook, snapchat, youtube ou site.

Com isso a marca HBO se mantém relevante por no mínimo durante 8 semanas. É o momento ideal para fisgar um novo assinante, mas claro, há um problema óbvio: o que fazer com esse assinante que chegou até a HBO apenas para assistir a Game Of Thrones? Especula-se que o canal irá perder até 20% de seus assinantes quando a série chegar ao fim em 2018, um total de 27,6 milhões de cancelamentos!

Aí entra o Netflix na jogada. Por mais que ambas as propostas sejam diferentes, a maneira que o Netflix encontrou de te manter preso é criando um número enorme de novas atrações (que vem através de um bom preço e um bom relacionamento). Somente esse ano foram destinados 5 bilhões de dólares na produção de conteúdo original, com a promessa de uma nova temporada de série, série, filme ou documentário estreando a cada 15 dias.

A questão é que nem sempre algo realmente incrível acaba saindo no meio de tantas novas opções. O Netlix acaba se mantendo na boca do povo mais pela quantidade de produções, tudo porque coloca seu assinante em uma maratona infinita. Mas em alguns casos, o serviço de streaming consegue a tal publicidade gratuita que Game Of Thrones consegue para a HBO.

Making a Murderer é o maior exemplo. A série documental não é apenas um sucesso dentro do Netflix, mas um produto que se tornou popular, principalmente nos EUA. Notícias, reportagens e até a Casa Branca e Suprema Corte envolvidas com o caso de Steven. É esse boca a boca, os comentários saindo no nicho twitter/facebook, que acabam levando o nome do Netflix para onde ele quase não chega.

O maior fenômeno cultural do Netflix é Making A Murderer

E agora o serviço de streaming vê outra produção original, que também chegou como quem não quer nada, se tornando um fenômeno. Stranger Things é sem dúvidas a série do momento, na semana em que Mr. Robot retornou para seu segundo ano. A série vem cativando cada vez mais e mais pessoas, com sua leveza e culto ao nostalgismo.

Mas a lição de Stranger Things para o Netflix está na sua fluidez. Ao contrário de outras obras badaladas como Demolidor e Narcos, a série dos Irmãos Duffer não tem barriga. Está tudo dentro de uma linha de qualidade onde nenhum episódio torna-se descartável. E essa tal barriga (ou seja episódios em excesso) é o maior vilão das séries do Netflix.

Praticamente todas as obras originais possuem episódios que não deveriam existir. Mas o pulo do gato está justamente na maneira como você consome: ao assistir tudo de uma vez, você não foca em episódios específicos, mas sim no contexto geral. O que não permite que 1) você tenha na memória um episódio favorito 2) que os erros não fiquem tão evidentes como ficariam se você tivesse uma semana inteira pra pensar neles.

O que o Netflix deveria se permitir era explorar novos formatos, como Stranger Things que tem apenas 8 episódios. É fazer uma série menor e enxuta. Demolidor e Jessica Jones por exemplo seriam bem mais sucedidas se pensadas como mini séries de 7 episódios. É tirar o que não precisa e exaltar o que é bom. Simples.

De toda forma, Stranger Things é boa porque é boa, não da pra saber como seria se os produtores resolvessem esticá-la por 13 episódios. Mas é uma boa chance do Netflix ousar mais uma vez e criar séries assim, pequenas e inesquecíveis.

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