O que as meninas de Orange Is The New Black podem te ensinar?

Terceira temporada supera suas antecessoras e continua nos ensinando

Luide
Luide
22 de junho de 2015
 

Sabe quando alguém te pergunta “sobre que é tal série?” e você faz um resumo bem bosta, tentando resumir o máximo possível? “Ah Sons Of Anarchy é sobre motoqueiros“, “The Sopranos é sobre máfia“, “House Of Cards é sobre política” e etc, etc. De fato, essas séries podem até ter como base esses temas, mas sempre serão sobre comportamento humano. E a bola da vez pra ganhar esses resumos espetaculares é Orange Is The New Black.

É uma série sobre mulheres presas“, “série de lésbicas“, “série de mulher“. Tem gente que se recusa a ver por isso e tem gente passa vergonha ao fazer uma entrevista também achando que só tem isso: mulher, lésbica e cadeia (mesmo se fosse só isso já estaria bom, rs). Mas na boa, se existe uma série humana que pode te ensinar muita coisa, mostrar o quão maravilhoso é o mundo da diversidade e diferentes comportamentos, essa é Orange Is The New Black.

A terceira temporada repete o padrão de qualidade de outras passadas e continua colocando em pauta, sem nunca ser didática ou forçada, assuntos que hoje em dia estamos mais abertos a debatê-los e aceitá-los. Com o roteiro firme e forte em misturar momentos dramáticos seguidos de situações cômicas, OITNB é não somente deliciosa de se assistir, mas também um forte soco na cara em certos momentos.

Quando você coloca duas pessoas iguais, do mesmo gênero, raça, fé e orientação sexual pra conversar, provavelmente terão como assunto seus próprios mundos. Será difícil sair da casinha e caso saiam, o que elas podem dizer sobre aquilo que não conhecem? Desse mal OITNB não sofre, já que a diversidade de mulheres ali é tão grande que temos uma belíssima oportunidade de conhecer aquilo não acontece em nosso dia-a-dia.

Aprendemos com Big Boo que ninguém deve ser invisível. Aprendemos com Daya o quão difícil é encarar uma gravidez quando o pai comete o “aborto paterno” e abandona criança e mãe. Aprendemos com Norma até onde o fanatismo religioso pode ser prejudicial, mas também aprendemos com Black Cindy que cada um tem direito a exercer sua fé como quiser. Aprendemos com a Tiffany o quanto a sociedade teima em culpar a mulher em casos de estupros. Com Sophia aprendemos que transfobia mata. E aprendemos com a Pipper que se ela se esforçar bastante, quem sabe o cérebro de mulher dela não faça algo útil…

OITNB não se porta em momento algum como um “textão” ou tem como objetivo te mostrar o sofrimento dessas mulheres e te fazer sentir peninha. Longe disso, a série é uma aula de como nos fazer ter empatia pelo próximo e isso é fantástico. Até mesmo as piadinhas com escravidão e anti-semitismo no fundo tem alguma coisa a dizer.

Já que pelas novas regras do Emmy, OITNB não pode mais ser considerada “comédia”, já faço aqui meus votos: a terceira temporada MERECE ser indicada a Melhor Drama. Enquanto House Of Cards se acomodou, OITNB se supera a cada novo diálogo, a cada nova temporada, a cada flasback pra nos contar um pouco mais sobre seus personagens.

Aprender é sempre bom. Aprender com Orange Is The New Black é melhor ainda.

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